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Bede Griffiths
Bede Griffiths (1906-1993) nasceu como Alan Richard Griffiths numa família britânica de classe média; era o filho mais novo de três irmãos. Pouco depois de seu nascimento em 1906, seu pai foi trapaceado por um sócio – perdendo cada centavo de seu negócio – e faliu, nunca mais tendo conseguido recuperar seu papel e seu lugar na família. A mãe de Dom Bede precisou se tornar tanto mãe quanto pai de seus filhos, diminuir seu padrão de vida e arrumar um emprego.
Entre 1918 e 1929, Dom Bede passou por sua fase de formação. Aos doze anos foi matriculado numa escola pública para meninos pobres conhecida como Hospital de Cristo (Christ’s Hospital). Devido a seu desempenho exemplar, conseguiu uma bolsa na Universidade de Oxford, onde foi estudar Letras e Filosofia. Apaixonado por poesia, acreditava que essa arte era um passo para viver a plenitude interior e dedicou-se a seu estudo. Durante seu terceiro ano em Oxford, conheceu o célebre escritor C. S. Lewis, que primeiro virou seu tutor e depois seu grande amigo durante a vida toda. Bede Griffiths se formou em jornalismo, curso que o auxiliou muito para concluir com maestria o que o destino lhe preparou: a redação de doze livros acerca do diálogo hindu-cristão, tendo sido convidado a palestrar em diversas partes do mundo, estabelecendo uma verdadeira ponte entre o Ocidente e o Oriente.
Logo depois de se formar, começou aquilo que ele e dois amigos chamaram de “um experimento em vida comunitária”. Compraram uma cabana rural em Costwalds e adotaram um estilo de vida imerso na natureza, como protesto contra o mundo moderno. Em seu experimento, viviam da venda do leite, liam juntos a Bíblia, e ele se sensibilizava
cada vez mais com seu relacionamento com a natureza. O experimento durou pouco menos de um ano, mas causou profundo efeito nele. Na confusão que se seguiu em sua mente, ele buscou um retiro onde jejuou e orou todas as noites, até que lágrimas brotaram em uma epifania. Ele mesmo escreveu: “eu não era mais o centro de minha vida”. Passou então por um período que descreveu mais tarde como seu próprio “Retorno ao Centro”.
Em dezembro de 1932, Griffiths ingressou no mosteiro beneditino de Prinknash Abbey, onde recebeu o nome Bede, que significa “prece”. Ali foi ordenado sacerdote em 1940. Passou algum tempo em outra abadia da ordem na Escócia como prior e, depois de duas décadas naquela vida comunitária, mudou-se para Kengeri, em Bangalore, Índia, em 1955. Em 1958, ajudou a implantar o Kristaya Sanyasa Samaj, Kurisumala Ashram (Montanha da Cruz), um mosteiro de rito siríaco em Kerala.
Em 1968 mudou-se para o ashram Shantivanam (Floresta da Paz) em Tamil Nadu, que havia sido fundado em 1950 pelo monge beneditino francês Henry Le Saux (Abhishiktananda). Bede Griffiths estudou profundamente a religião e a cultura hindus, pelas quais ele se havia apaixonado desde o começo. Ainda que permanecesse monge beneditino, ele adotou as vestes cor de laranja da vida monástica hindu e o nome devocional Dhayananda, que significa “bem-aventurança da compaixão”, comprovando seu diálogo com o hinduísmo.
Sob sua liderança, Shantivanam tornou-se um centro de vida contemplativa, de aculturamento e de diálogo inter-religioso. Griffiths morreu em Shantivanam em 1993, com 86 anos.
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