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Olavo de Carvalho
Nasceu em 1947,
tem sido saudado pela crítica como um dos mais originais
e audaciosos pensadores brasileiros. Homens de orientações
intelectuais tão diferentes quanto Jorge Amado, Roberto Campos,
J. O. de Meira Penna, Bruno Tolentino, Herberto Sales, Josué
Montello e o ex-presidente da República José Sarney
já expressaram sua admiração pela sua pessoa
e pelo seu trabalho.
A tônica
de sua obra é a defesa da interioridade humana contra a tirania
da autoridade coletiva, sobretudo quando escorada numa ideologia
"científica".
Para Olavo de
Carvalho, existe um vínculo indissolúvel entre a objetividade
do conhecimento e a autonomia da consciência individual, vínculo
este que se perde de vista quando o critério de validade
do saber é reduzido a um formulário impessoal e uniforme
para uso da classe acadêmica. Acreditando que o mais sólido
abrigo da consciência individual contra a alienação
e a coisificação se encontra nas antigas tradições
espirituais taoísmo, judaísmo, cristianismo,
islamismo , Olavo de Carvalho procura dar uma nova interpretação
aos símbolos e ritos dessas tradições, fazendo
deles as matrizes de uma estratégia filosófica e científica
para a resolução de problemas da cultura atual.
Um exemplo dessa
estratégia é seu breve ensaio Os Gêneros Literários:
Seus Fundamentos Metafísicos, onde se utiliza do simbolismo
dos tempos verbais nas línguas sacras (árabe, hebraico,
sânscrito e grego) para refundamentar as distinções
entre os gêneros literários. Outro exemplo é
sua reinter-pretação dos escritos lógicos de
Aristóteles, onde des-cobre, entre a Poética, a Retórica,
a Dialética e a Lógica, princípios comuns que
subentendem uma ciência unificada do discurso na qual se encontram
respostas a muitas questões atualíssimas de interdisciplinariedade
(Aristóteles em Nova Perspectiva Introdução
à Teoria dos Quatro Discursos). Na mesma linha está
o ensaio Símbolos e Mitos no Filme "O Silêncio
dos Inocentes" ("análise fascinante e ouso
dizer definitiva", segundo afirma no prefácio
o prof. José Carlos Monteiro, da Escola de Cinema da Universidade
Federal do Rio de Janeiro) que aplica a uma disciplina tão
moderna como a crítica de cinema os critérios da antiga
hermenêutica simbólica.
Sua obra publicada
até o momento culmina em O Jardim das Aflições
(1985), onde alguns símbolos primordiais como o Leviatã
e o Beemoth bíblicos, a cruz, o khien e o khouen da tradição
chinesa, etc., servem de moldes estruturais para uma filosofia da
História, que, partindo de um evento aparentemente menor
e tomando-o como ocasião para mostrar os elos entre o pequeno
e o grande, vai se alargando em giros concêntricos até
abarcar o horizonte inteiro da cultura Ocidental. A sutileza da
construção faz de O Jardim das Aflições
também uma obra de arte.
É grande
a dificuldade de transpor para outra língua os textos de
Olavo de Carvalho, onde a profundidade dos temas, a lógica
implacável das demonstrações e a amplitude
das referências culturais se aliam a um estilo dos mais singulares,
que introduz na ensaística erudita o uso da linguagem popular
incluindo muitos jogos de palavras do dia-a-dia brasileiro,
de grande comicidade, praticamente intraduzíveis, bem como
súbitas mudanças de tom onde as expressões
do sermo vulgaris, entremeadas à linguagem filosófica
mais técnica e rigorosa, adquirem conotações
imprevistas e de uma profundidade surpreendente.
A obra de Olavo
de Carvalho tem ainda uma vertente polêmica, onde, com eloqüência
contundente e temível senso de humor, ele põe a nu
os falsos prestígios acadêmicos e as falácias
do discurso intelectual vigente. Seu livro O Imbecil Coletivo: Atualidades
Inculturais Brasileiras (1996) granjeou para ele bom número
de desafetos nos meios letrados, mas também uma multidão
de leitores devotos, que esgotaram em três semanas a primeira
edição da obra.
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