Aula 2
O Projeto Socrático
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Trecho
(10 primeiras páginas)
Expusemos na aula anterior a idéia de que havia três modelos básicos de História da Filosofia: o primeiro, que trata as várias doutrinas mais ou menos independentemente, formando uma exposição de tipo enciclopédico; o segundo, das Histórias da Filosofia baseadas mais ou menos nas lições sobre a História da Filosofia Universal de Hegel, que procura interpretar o conjunto da sucessão das doutrinas como se fosse um movimento único, uma espécie de dialética que se desenvolveria unitariamente desde os primeiros filósofos até o próprio Hegel; e, finalmente, os modelos de História que tratam a filosofia como um objeto histórico como qualquer outro, tentando utilizar, portanto, critérios de ciência social e de ciência histórica para expor e explicar o “desenvolvimento das idéias” em função de fatores sociais, culturais etc.
Expliquei também por que esses três modelos me pareciam insuficientes, embora cada um tivesse a sua utilidade, e em seguida expus os critérios nos quais iríamos nos basear para essa investigação. Esses critérios são os seguintes: primeiro, a História da Filosofia tem de ser passada com um mínimo de pressupostos de ordem metafísica, sociológica, cultural etc.; temos de partir apenas de princípios auto-evidentes que não limitem nem amoldem excessivamente o conjunto da matéria que vamos abordar. Um desses princípios – e todos eles naturalmente têm de ser auto-evidentes, que não tenham que voltar a ser discuti- 6 dos em seguida – é o de que a filosofia não nasceu pronta, o que eu acho que ninguém questionará, porque não pode haver nenhuma discussão séria a respeito disso.
A filosofia, portanto, não surge como uma realidade ou como uma coisa realizada, mas como um ideal ou um projeto (convencionamos aqui usar a palavra “projeto”), que se torna autoconsciente, como um projeto de saber, entre o tempo de Sócrates e o tempo de Aristóteles. Seriam esses os três grandes formuladores do projeto filosófico. Não que não houvesse antes atividades que merecessem de algum modo o nome de “filosóficas”, mas elas não tinham ainda consciência de si mesmas como um projeto diferenciado, destinado a prosseguir depois da morte de seus autores. Quando lemos aqueles aforismos de Heráclito ou os textos que nos sobraram de todos os outros filósofos ditos pré-socráticos, vemos que eles se constituem de observações feitas por indivíduos sem a menor intenção de que aquilo se tornasse objeto de discussão numa comunidade, sem muito menos a menor intenção de que aquilo fosse uma pesquisa destinada a continuar historicamente. Já com Sócrates, a idéia de um empenho coletivo e passível de continuidade aparece da maneira mais clara possível.
A própria possibilidade da realização desse projeto se torna depois objeto de discussão na academia platônica. E, enfim, com Aristóteles, fecha-se um conjunto de critérios que podem ser encarados como as diretrizes básicas do projeto filosófico ao longo do tempo. Ora, então a História da Filosofia não seria somente a história da realização desse projeto, mas a história de todos os percalços, de todas as dificuldades encontradas ao longo dessas tentativas.
Por um lado, vê-se que uma das atitudes 7 possíveis dentro de um projeto é retomá-lo literalmente e tentar prosseguir tal como ele foi formulado em sua origem. Uma segunda possibilidade é impugná-lo, ser contra aquele projeto e propor alguma outra coisa completamente diferente. Uma terceira possibilidade é tentar alterá-lo, ou seja, nem tentar realizá-lo fielmente nem abandoná-lo; tenta-se fazer um composto, quer dizer, propõe-se um segundo projeto que, entende-se, seria melhor do que aquele inicial. E uma quarta possibilidade é de que alterações no projeto surjam mais ou menos por casualidade, ou seja, por dificuldades encontradas mais ou menos acidentalmente em sua transmissão de uma geração para outra, por influência de fatores externos que não vêm do próprio círculo de pessoas empenhadas em sua realização, mas via acontecimentos de ordem política, religiosa, social etc.
Com esse método, podemos obter uma narrativa contínua da História da Filosofia, vendo, portanto, a unidade do seu desenvolvimento. Mas não no sentido de uma unidade simples, como em Hegel, e muito menos de uma unidade linear, como se por trás de todos os filósofos houvesse um único Espírito, um macrocérebro filosófico invisível pensando e se expressando pela boca destes. Nosso tipo de narrativa histórica procura se ater o mais possível à realidade empírica da vida de indivíduos considerados como unidades autônomas e criadoras, isto é, um filósofo seguinte para nós não é somente a continuação do anterior, ele é um outro sujeito que tem a sua própria idéia, que não está obrigado de maneira alguma a continuar na linha do anterior, nem a tratar dos mesmos assuntos.
Em todos os casos – e por trás da imensa variedade de possibilidades que essas quatro principais permitem 8 através das suas múltiplas combinações –, haverá sempre a referência a este projeto originário. Alguma posição as pessoas tomam com relação ao projeto originário, e é só por causa disto que sua atividade é considerada filosófica. Aquilo que não contenha uma especulação, uma doutrina, uma teoria, que não contenha nenhuma referência, nem implícita nem explícita, ao projeto socrático originário está evidentemente fora da História da Filosofia.
Admitimos até a hipótese de que pessoas que não tenham tomado conhecimento histórico da existência desse projeto como fato possam ter se posicionado em face dele, tomado apenas como possibilidade ideal, ou seja, de que pessoas, sem ter tido conhecimento de Sócrates, pensaram mais ou menos as mesmas possibilidades e se posicionaram positiva ou negativamente em face delas, mesmo porque tudo que existe, tudo que é real, por definição é possível. Se apareceu num certo momento da História um sujeito chamado Sócrates com uma certa idéia a realizar, é porque o intuito de realizá-la é uma espécie de possibilidade permanente do ser humano – e nada impede que ela tenha aparecido em outros lugares, em outros tempos, sem nenhuma conexão histórica. Aliás, é muito comum na História que uma ou duas, ou várias pessoas sem conexão entre si, tenham mais ou menos as mesmas idéias ao mesmo tempo, ou em épocas históricas um pouco distantes.
Seja por contato histórico, seja por similaridade interna, seja por identidade lógica ou semelhança lógica, é possível que se encontrem projetos análogos em outros círculos civilizacionais totalmente alheios ou totalmente separados do ciclo ocidental – do qual faz parte o projeto socrático e a história das tentativas de sua realização ou não-realização. 9 Como entendemos a filosofia como projeto, como um intuito, como um desejo humano a ser realizado, e como existe a possibilidade de que algumas pessoas, em vez de tentar realizá-lo tentem justamente impugná-lo, proibi-lo, refutá-lo ou propor outra coisa completamente diferente no lugar... ou seja, como admitimos a hipótese de que ao longo do percurso percorrido desde Sócrates até agora tem havido muitas atitudes possíveis em face desse projeto, mesmo a de negá-lo, a de ignorá-lo, a de substituí-lo por outras idéias, por outros projetos, então não se poderá contar a História da Filosofia sem contar também a história do que nós podemos chamar a “antifilosofia”, ou seja, de todas aquelas corrente doutrinais que tentaram por um motivo ou por outro impugnar ou bloquear a realização do projeto filosófico.
E o tentaram de uma maneira consciente, como vemos em alguns dos primeiros padres da Igreja (Tertuliano, por exemplo), impugnando realmente a atividade filosófica em nome do cristianismo; já outros a defenderam também em nome do cristianismo. Quer dizer, houve todo um debate em torno de filosofia e cristianismo nesse período, e esse debate faz parte da História da Filosofia. Embora as posições tomadas nem sempre sejam filosóficas, podem ser totalmente antifilosóficas.
A história daquilo que se opõe à realização do projeto do personagem também, evidentemente, é parte dele. Em outras épocas, ver-se-ão fatores antagônicos ao desenvolvimento do projeto filosófico. E surgem às vezes não de uma oposição frontal, mas de certas tentativas de subordiná-lo a considerações de outra ordem, como, por exemplo, no século XX. Não se poderá compreender nada da História da Filosofia no século XX sem levar em conta as inúmeras tenta- 10 tivas de subordinar a prática filosófica a um projeto político determinado, que não é o socrático, mas que se tentou de algum modo articular com ele, tornando a filosofia uma espécie de instrumento ou peça dentro de um projeto de transformação histórica muito posterior ao projeto socrático.
Todos esses percalços colocam para o historiador da filosofia problemas complicadíssimos, e todas essas dificuldades podem ser facilmente resolvidas pelo nosso método. Por exemplo, um historiador da filosofia pensará seriamente, assim, digamos: “A doutrina marxista-leninista oficial da União Soviética faz parte da História da Filosofia ou não?”. Desde que ela não é uma atividade filosófica crítica, mas a tentativa de formulação quase que de um dogma marxista, parece que não.
Por outro lado, essa mesma tentativa implica algum tipo de especulação que não se pode deixar de rotular de filosófica. Doutrinas religiosas ou místicas de algum modo fazem parte da História da Filosofia ou não? Quase todos os historiadores têm uma dificuldade enorme de resolver este problema, e acabam sempre optando por soluções de compromisso ou por soluções arbitrárias. Já o nosso método permite resolver da maneira mais simples esse problema da delimitação do campo, porque não entendemos a filosofia como um campo de conhecimento determinado ou como uma problemática determinada, mas exatamente como um projeto a realizar.
E entendemos a História da Filosofia como a sucessão dos episódios que marcam, ou a realização, ou o fracasso, ou o abandono, ou a modificação desse mesmo projeto. Isso quer dizer que, para que algo seja assunto da História da Filosofia, evidentemente ele não precisa por si mesmo ser uma doutrina filosófica; pode até ser o contrário, 11 pode até ser um obstáculo – assim como na narrativa da vida de qualquer personagem histórico ou fictício tem muita coisa que faz parte da História, mas que não é iniciativa dele, é iniciativa dos seus adversários, dos seus inimigos, dos que o invejam, dos que o desconhecem e assim por diante.
Mas tudo isso, embora de origem múltipla e heterogênea, às vezes faz parte da história dele justamente por efeito de contraste ou de contigüidade. Então, sem perder em nada o senso das diferenças individuais e o da autonomia das várias iniciativas filosóficas e antifilosóficas – ou extrafilosóficas, mas ligadas a História da Filosofia –, sem perder a idéia desta variedade concreta, factual, histórica, conseguiremos sem muita dificuldade traçar uma unidade na História da Filosofia. Note-se bem que esta unidade não é a de uma interpretação que estamos captando no conjunto do movimento histórico, como Hegel acreditou apreender, quer dizer, um movimento linear e único. Não é isto.
A unidade da nossa narrativa é dada simplesmente pela referência que os vários personagens vão fazendo ao projeto originário. No fundo estão todos se posicionando em face da mesma coisa, porque se for totalmente alheia a essa coisa e não tiver nenhuma referência a ela, então certamente não faz parte da História da Filosofia, nem de maneira direta, nem de maneira indireta.
A filosofia, como um projeto de conhecimento, como uma certa busca de conhecimento que pode ser prosseguida ao longo dos tempos, já aparece com Sócrates, que está continuamente inaugurando certas investigações que ele às vezes não dá por concluídas. Ele então deixa bem claro que conta com a possibilidade de que outras pessoas continuem 12 investigando aquilo e talvez cheguem a resultados melhores. Sócrates em nenhum momento expõe uma doutrina acabada. Ele monta certos problemas, ou seja, monta certas investigações filosóficas. Ele ensina a montar, é exatamente isso que ele faz nos seus confrontos com amigos e discípulos: ele lhes sugere certos temas filosóficos que eles tentam então investigar com os instrumentos que têm, e ele em seguida vai corrigindo a maneira deles investigarem o problema até colocar isso numa linha que parece mais passível de levar a resultados firmes.
A busca de um conhecimento firme, a estratégia e a tática para a busca do conhecimento firme sobre certos temas, esse aí certamente é um dos componentes do projeto filosófico, cujo conteúdo vou explicar melhor. Muito bem, embora seja somente com Sócrates que o projeto filosófico se expõe de uma maneira autoconsciente – como se dissesse: “A filosofia é isto aqui, e é isto aqui que nós vamos fazer” – e, portanto, você não encontre este projeto exposto de maneira autoconsciente em nenhum dos présocráticos, existe uma sentença que é atribuída a um deles, que é atribuída a Pitágoras, que seria a própria definição da filosofia como “amor à sabedoria”.
Nós não precisamos admitir que, ao formular esta definição, Pitágoras tivesse já toda a consciência do projeto filosófico tal como veio a ser exposto depois por Sócrates, Platão e Aristóteles. Não obstante, com consciência ou não de todo o seu conteúdo, o fato é que Pitágoras enunciou essa frase, e esta frase é absorvida depois por Sócrates, Platão e Aristóteles como uma espécie de resumo do seu projeto. A exposição do projeto filosófico, do projeto socrático, tem que começar por uma breve análise desta mesma definição, tal como ela foi compreendida na época, especial- 13 mente por Sócrates, Platão e Aristóteles.
Ou seja, o estudo que nós vamos fazer da definição da filosofia como “amor à sabedoria” não vai enfocar essa frase no preciso contexto histórico pitagórico. Não vamos investigar o que Pitágoras entendeu por esta frase – mesmo porque o estudo do pitagorismo é um dos enigmas históricos mais complicados que existe (não se sabe direito se ele existiu, se não existiu, se coisas que são atribuídas a ele são de atribuição histórica real ou apenas por semelhança, e eu não quero entrar em todo este problema). Ademais, eu já deixei claro que os présocráticos são apenas a pré-história da filosofia.
A partir de Nietzsche houve uma imensa revalorização dos pré-socráticos, mas, por mais valiosos que fossem os ensinamentos que eles nos legaram, é inegável que eles não tinham o projeto filosófico como um projeto autoconsciente. Isso só parece realmente com Sócrates, e pelo próprio conteúdo dos diálogos socráticos se verá que ele estava enunciando algo ali que era totalmente novo para o seu meio. Então, a rigor, podemos dizer que a História da Filosofia do Ocidente começa com Sócrates, embora tenha havido um vasto aproveitamento de elementos anteriores. Nós vamos romper um pouco com a ordem cronológica da exposição e vamos dar a idéia do projeto socrático primeiro – e só depois abordaremos os pré-socráticos.
Mas como é este projeto que dá o senso de unidade de toda a narrativa que vamos fazer, temos que começar por ele. Ademais, embora esse projeto quando aparece com Sócrates seja totalmente novo, ele incorpora a definição atribuída a Pitágoras, da filosofia como “amor à sabedoria”. A análise que vou fazer não interpreta esta frase no sentido em que teria tido 14 historicamente para um Pitágoras histórico impossível de descobrir e documentar, mas ela aborda o sentido prático que ela teria em Sócrates, Platão e Aristóteles. Veremos como eles entenderam esta frase, e o que estava para eles subentendido nesta definição com a qual enunciavam resumidamente o conteúdo do próprio projeto socrático. Se a filosofia é o “amor à sabedoria”, a primeira coisa que isto implica é que a sabedoria exista. Isso quer dizer que, se Pitágoras disse isso, Pitágoras acreditava que existisse uma sabedoria – e se Sócrates absorve esta frase ele também acredita que exista uma sabedoria, e Platão também, e Aristóteles também... Ou seja, a sabedoria não é algo que eles vão fazer, mas que de algum modo vão encontrar.
Então existe a sabedoria, a sabedoria não está neles – e tanto não está que eles não se dizem nem portadores dela. Eles não são seus inventores, nem sequer seus portadores. São apenas aqueles que a amam, e porque a amam buscam encontrá-la, sabendo que não a possuirão completamente. Porque se a filosofia já é definida como o “amor à sabedoria”, e não como a conversão do filósofo em sábio, se subentende que esta atividade de certo modo continua. pois a posse da sabedoria não é completa. Tudo isso está pressuposto – e o que estou dizendo é absolutamente coerente com o uso que Sócrates, Platão e Aristóteles fazem do termo. Então existe a sabedoria e o homem a deseja. Oras, ele a deseja porque tem alguma notícia dela – e a notícia que tem da sabedoria é suficiente para que ele entenda que ela é um objetivo desejável.
A sabedoria existe, por assim dizer, fora e acima do homem. Ela representa um tipo de conhecimento, um tipo de consciência que não está em nós, mas que de algum modo podemos alcançar. Se existe fora de nós, existe como? 15 Não vamos aprofundar esta questão aqui – saber onde está a sabedoria, onde vamos buscá-la, onde ela existe fora do homem – mas na exposição do platonismo vamos voltar a este assunto. Só para dar uma idéia, vamos lembrar que quando Hertz descobriu a ligação entre luz e eletricidade, no século XIX, ele disse o seguinte: “Olha, essas coisas não podem ser observadas pelos sentidos, nós só as captamos por certas relações matemáticas. Medimos umas coisas aqui, medimos outras lá e vimos que ali tem uma equação que não é visível pelos sentidos – ela até é aparentemente negada pelos sentidos – no entanto ela está lá.
E está como algo que é mais inteligente do que aquele que a descobriu”. Então, digamos, esta relação entre luz e eletricidade seria um exemplo de um conteúdo da sabedoria que já estava ali milênios antes que Hertz a descobrisse (hoje em dia, todo mundo tem um computador, e está lá escrito megahertz. Tem a ver com esse mesmo sujeito). Uma equação que mostra uma unidade entre fenômenos distintos dentro da natureza é um exemplo de como pode existir uma sabedoria fora do homem. Outro exemplo é o seguinte: existe um monte de conhecimentos mineralógicos registrados nos tratados de mineralogia, mas antes deles estarem nos tratados estavam onde? Nos minerais.
Se não estivessem nos minerais, não teria sido possível puxá-los de lá para colocá-los sob forma verbal no livro. Então esta mineralogia dos minerais, este conhecimento mineralógico que está nos minerais, é um outro exemplo de como pode haver a sabedoria fora de nós. Esses dois exemplos são tirados da natureza, mas isso não quer dizer é nela que a sabedoria está. A natureza é uma instância, um domínio que está fora de nós, está além 16 de nós, e um dos muitos nos quais podemos buscar e colher algo da sabedoria. Então a sabedoria é compreendida não como uma criação do homem, como uma criação cultural, como uma criação histórica.
Ela é compreendida de duas maneiras. Primeiro, é um conjunto de conhecimento. Mas não é só um conjunto de conhecimentos inertes que estejam ali registrados de maneira morta, porque isso é também a presença de uma inteligência. Como disse Hertz, “esta equação é mais inteligente do que aquele que a descobriu”, isto é, ele mesmo. Isto significa que ele teve que ficar mais inteligente para chegar ao grau de sutileza desta equação. Então a sabedoria não é somente um conteúdo da inteligência. É uma inteligência.
À medida que você se aproxima desses conteúdos, você absorve algo desta inteligência, ela de certa maneira vivifica-o... [Aluno: É por isso que ele falou “amor à sabedoria” e não “busca à sabedoria” ? (...)] Não é só por isso. Um dos motivos é este: o indivíduo percebe que esses conteúdos da sabedoria são amáveis porque nota neles uma inteligência que é melhor do que a sua. Mas, por outro lado, para que haja amor a esta sabedoria, não basta só que ela seja muito interessante nos seus conhecimentos. É necessário que ela seja amável. E se fosse uma coisa terrível, quer dizer, um mistério temível, que abrindo a caixa preta você morre? Então somente um idiota iria buscar.
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