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Nina ou Da Fragilidade das Gaivotas Empalhadas

AUTOR:
Visniec, Matéi

TRADUÇÃO:
Carvalho, Clara

Editora:
É Realizações

Gênero:
Artes

Subgênero:
Teatro

Formato:
11,7 x 21 cm

Número de Páginas:
96

Acabamento:
Brochura

ISBN:
978-85-8033-345-9

Ano:
2018
Pertence à coleção:
Biblioteca Teatral

Tags:
Anton Tchékhov, A Gaivota (peça de teatro), Revolução Russa, teatro russo, teatro romeno, teatro do absurdo, e teatro contemporâneo

R$34,90 Comprar

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Sinopse

Nina é a revisita de Visniec a uma das obras mais conhecidas de Anton Tchékhov, A Gaivota – a um só tempo extraindo de suas personagens orientação para os problemas da nossa época e confrontando aquelas figuras com os acontecimentos que elas não conheceram. Nesta releitura, a última tentativa de suicídio de Tréplev fracassou. Quinze anos se passaram e ele vive sozinho, na casa que fora de sua mãe. É então surpreendido pelo retorno de Nina, que se esconde do mesmo Trigórin com quem um dia fugira. Mas este terceiro espectro também comparece ao ambiente recriado por Visniec. É a inteira atmosfera tchekhoviana que vemos ser submetida ao abalo de 1917, ano em que eclode a Revolução Russa. A gaivota – empalhada – está preservada na parede da sala, mas nada garante que, no universo de Visniec, ela não possa morrer mais uma vez...

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  • Saiu na mídia

    Matéria Livro Nina Folha de S. Paulo

    Dramaturgo romeno ironiza utopia da obra de Anton Tchékov

    Folha de S. Paulo | 21 de agosto de 2018

    Disponível em PDF

Mais obras de Matéi Visniec

 

SOBRE O LIVRO

Duas entre muitas qualidades fazem que o teatro de Matéi Visniec seja unanimemente estimado. Por um lado, a apropriação dos clássicos – Shakespeare, Beckett, Ionesco – para construir um estilo peculiar. Por outro lado, a sensibilidade histórica, com que identifica os dramas de agora e expõe ao público a sua absurdidade. Em Nina ou Da Fragilidade das Gaivotas Empalhadas as duas características se conjugam de modo extraordinariamente criativo. Trata-se de uma homenagem ao maior dramaturgo russo, mas que, indo além de A Máquina Tchékhov, não apenas compõe uma galeria com as suas personagens. A nova peça nos faz entrar no universo tchekhoviano, que tem a sua aura recriada com fidelidade por Visniec. O ambiente, ele próprio, tem a força de uma personagem, com o benefício de o podermos experimentar a partir de dentro. Esse mesmo universo é também um nosso hóspede, entretanto; ele faz uma visita aos primórdios da contemporaneidade. Como Visniec justifica na abertura do livro – com uma carta (imaginária) destinada a Tchékhov –, os indivíduos criados pelo russo lançam luz sobre quem nós mesmos somos. Há um fascínio particular em imaginá-los atravessando os acontecimentos que nos marcaram. É o que faz este livro ao prolongar a vida dos protagonistas de A Gaivota, para ver como se saem diante dos fatos que lhes sucederam na História.

Nesta releitura o enredo se passa quinze anos mais tarde, no período em que foi deflagrada a Revolução Russa: 1917. Tréplev, o escritor incompreendido, não morreu; fracassou também em sua última tentativa de suicidar-se. Nina, a atriz que amara – mas que fugira com o famoso escritor Trigórin –, retorna inesperadamente, esquivando-se daquele a quem se unira. Trigórin também ressurge, completando o triângulo amoroso, que se revive na mesma casa de outrora, em que habitara a mãe de Kóstia (como Nina chama a Tréplev). Este, já que não pôde refugiar-se na morte, consola-se no cansaço: trabalha como agricultor, escreve alucinadamente e todos os anos reconstrói o palco em que Nina ensaiara – para torná-lo vivo, preservá-lo como um templo. Ela, sua antiga amada, bem sabe que seu desejo era possuí-la como modelo de inspiração e que, se com ela vivesse, veria fracassar o seu sonho utópico. Nina o sabe porque sua utopia também falhou; conhecer as manias e o prosaísmo da rotina de Trigórin fez abalar o seu encanto por este. O que ela deseja agora é ver um duelo entre seus dois amantes, mas, se ele ocorre na peça, é por vias sutis. O que se opõe, através de Tréplev e Trigórin – se bem que de modos sempre pouco lineares –, são a utopia e a desesperança, o surrealismo e o dadaísmo, Anton Tchékhov e sua própria obra, Matéi Visniec e sua própria obra, Tchékhov e Visniec entre si.

De Moscou vêm Nina e, em seu encalço, Trigórin, mas junto consigo eles trazem mais: os rumores e notícias do desenrolar da revolução – morte de soldados, queda do imperador... Os três protagonistas se reencontram no cenário original de A Gaivota para que assistamos ao momento exato em que aquele mundo desmoronou. Presságios sinistros acompanham toda a história: latidos, uivos, ventania; as forças da natureza descontroladas anunciam a proximidade de um fim. Os temas caros a Visniec, autor atento às questões de hoje, se misturam aos temas de Tchékhov, um dos gênios da época que nos antecedeu. Nina ou Da Fragilidade das Gaivotas Empalhadas relata o drama de ter a vida controlada por forças impessoais e de pertencer a um período que nos condena à repetitividade. É com isso que a estética de Visniec lida, e ela se faz notar aqui – embaralhando os espaços, dissolvendo a noção de tempo. Mas, se a peça fala de censura e da banalidade da morte em tempos de revolução, também fala sobre o amor aventureiro; sobre as tramas que envolvem o masculino e o feminino; sobre a melancolia do sucesso; sobre a tragédia de gerar o nada, que acomete a mãe de um bebê natimorto; sobre ressentimento, desprezo, vaidade, ciúme. A homenagem brilhante de Visniec emula a criação tchekhoviana até mesmo neste detalhe: apresenta uma ficção inusitada e de sabor cômico, mas que, de tão cirúrgica no retrato que faz de nosso mundo e do que o precedeu, acaba sendo lida por nós como um – delicioso – drama.

 

Curiosidades

• Visniec já se tornou um dos autores estrangeiros mais encenados no teatro brasileiro, tendo recebido da imprensa a alcunha de “mania nacional”.

• Prova disso é que Nina ou Da Fragilidade das Gaivotas Empalhadas está sendo publicada já contando com data para a estreia da sua montagem: 21/8, no Centro Cultural São Paulo.

A Gaivota, peça de Anton Tchékhov da qual Visniec faz uma releitura aqui, é nada menos que um clássico da literatura e da dramaturgia contemporâneas.

• O livro complementa outros títulos do nosso catálogo de teatro, porque expande a homenagem que o próprio Visniec já havia feito em A Máquina Tchékhov e se inspira em uma figura importante para o Teatro de Arte de Moscou, este último estando no centro da obra Stanislávski Ensaia.

 

SUA LEITURA SERÁ ESPECIALMENTE PROVEITOSA PARA:

• Atores, produtores e diretores de teatro.

• Admiradores de Anton Tchékhov, em particular da sua peça A Gaivota.

• Leitores de Matéi Visniec.

• Apreciadores de dramaturgia, especialmente contemporânea, romena, russa e/ou vinculada ao teatro do absurdo.

• Estudantes e professores de artes cênicas ou letras.

• Interessados em discussões sobre a Revolução Russa e o comunismo soviético.