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Viktor Frankl, o homem do sentido

Viktor Frankl

Apenas 25 quilos. Viktor Frankl pesava 25 quilos quando saiu do último dos quatro campos de concentração nazista pelos quais passou de 1942 a 1945.

A esse terror chamou de “experimentum crucis”. Conceito que permeia toda a sua obra. Biografia e obra de Viktor Frankl é a mesma coisa. Tristemente fácil de notar…

Ele estava com 40 anos. Não sabia ainda, mas havia perdido o pai, o irmão e o grande amor de sua vida, a linda Tilly Grosser.

Os primeiros anos em liberdade foram para descobrir por onde suspiraram pela última vez todos esses a quem tanto amava.

Como tudo começou…

Foi nestes anos de horror que o grande intelectual do sentido da vida construiu a primeira versão do livro Em busca de sentido – Um psicólogo no campo de concentração.

Durante nove dias seguidos registrou em um gravador todas as suas emoções, expectativas e dores diante do nunca antes imaginado – e o que jamais teria fim, mesmo estando já liberto.

Entre elas, ter visto a própria mãe sendo obrigada a entrar em uma câmara de gás.

Nascido Viktor Emil Frankl, em 26 de março de 1905, em Viena, capital da Áustria, quando o Danúbio ainda resplandecia em sua inocência, era de família judaica.

Seu pai, Gabriel Frankl, foi diretor no Ministério da Educação e sua mãe, Elsa Lion, pertencia à família do rabino polonês Loew – Judá Loew ben Betzalel, de linhagem europeia antiquíssima – importante referência no estudo do Talmud e da Cabalá.

Como podemos perceber, Frankl teve infância e adolescência em excelente atmosfera de afeto e cultura, o que aumenta ainda mais o contraste dos anos que se descortinariam à sua frente. O maior espetáculo de horror que a humanidade já viveu e presenciou fez nascer um gênero próprio.

Nas artes, em sua própria obra.

Todavia, foi na Primeira Guerra Mundial que a família atravessou graves problemas financeiros, chegando a passar fome, e os meninos por vezes pediram esmolas. O irmão de Viktor chamava-se Walter.

O desejo de se tornar médico veio desde criança. Um desejo original. Queria abrir mão – tanto quanto fosse possível – do uso de medicamentos.

Foi então em 1924 que Viktor Frankl se tornou aluno da Universidade de Viena no curso de medicina. Formou-se em 1930.

Nestes anos, se tornara conhecido de Freud e corresponderam-se por muitos anos.

Não deixa de ser interessante ler ambos, hoje, quando já conquistamos tanto no campo do prazer e mesmo assim nossas angustias existenciais continuam nos frustrando…

Parte da história da neuropsiquiatria e da psicologia, Frankl criou o conceito logoterapia, que é a psicologia do sentido da vida, a tentativa de compreender o ser humano em sua totalidade – inclusive para além do próprio indivíduo, quando entra a beleza e o valor da vida em comunidade.

Se sua biografia e sua obra se misturam, é no meio da Segunda Guerra Mundial, quando Viktor e sua família foram capturados pelas forças de Hitler, que tudo começa a tomar forma.

Neste momento, especificamente em 1942, Frankl já estava casado com Tilly e ela guardava o primeiro filho. O casamento acontecera em 1941.

Pouco antes da captura, Frankl conseguiu um visto de emigração para os Estados Unidos. Sua irmã, Stella, conseguira ir para a Austrália e Walter para a Itália, embora Walter tenha sido capturado e deportado para os campos de concentração.

Salvação pela beleza: Frankl exime Tilly do compromisso matrimonial

A beleza de Tilly poderia salvá-la da morte. Assim pensou Frankl quando foram capturados. Outro dilema que viveu foi na decisão de eximir a esposa do compromisso matrimonial caso algum membro da SS se interessasse por ela.

Se pedisse fidelidade à Tilly, ela poderia morrer, e Viktor não suportava a ideia de ser, de alguma forma, responsável por isso.

Contudo, Tilly foi obrigada a abortar e morreu no campo de concentração por exaustão. Viktor só descobriu as circunstâncias de sua morte em 1984, aqui no Brasil, quando veio para o I° Encontro Latino-Americano Humanístico-Existencial: Logoterapia, que aconteceu em Porto Alegre. Neste evento, uma cunhada o procurou.

Durante a guerra, a família de Tilly viera para nossas terras. O sogro de Frankl chegou a exercer o cargo de professor na PUC-RS.

Viktor Frankl: o intelectual

O vienense foi titular das cadeiras de neurologia e psiquiatria da Universidade de Viena, além de professor de logoterapia na Universidade Internacional da Califórnia. Também ocupou cadeiras em Harvard, Stanford, Dallas e Pittsburgh.

Em 1948, doutorou-se em filosofia com o tema: “O Deus inconsciente”. Tornou-se, em 1955, professor de neurologia da Universidade de Viena. E foi em 1970, em San Diego, Califórnia, que foi fundado o primeiro instituto de logoterapia. Hoje, são mais de 30 ao redor do mundo.

Sim, foi nos Estados Unidos – país onde foi professor nas Universidades de Harvard, Dallas e Pittsburgh – que Frankl conquistou notoriedade.

O seu testamento intelectual deixa em O Que Não Está Escrito nos Meus Livros – Memórias, no qual narra fatos marcantes de sua vida. Os fatos são desde o extremo sofrimento nos anos em que foi prisioneiro ao reconhecimento mundial de seu trabalho.

Frankl veio ao Brasil em 1984, em Porto Alegre; 1986, Rio de Janeiro; e 1987 em Brasília.

Publicou, ao todo, 26 livros, que foram traduzidos para pelo menos vinte idiomas, incluindo os asiáticos e os africanos.

Morreu em 1997.

Um autor sempre atual, porque apesar de não vivermos em guerra lutamos por algo que nos ajude em nossas tarefas diárias, um sentido maior do que tudo, que permita que tudo seja suportável, Frankl tem muito a ensinar.

Após a leitura de seus relatos, é impossível não perceber os sentidos mais prosaicos de nossa vida. E automaticamente são ressignificados.

Conheça mais da obra de Viktor Frankl. Temos mais títulos surpreender do intelectual do sentido da vida, entre eles:

O Sofrimento Humano – Fundamentos antropológicos da psicoterapia

Teoria e Terapia das Neuroses

O Sofrimento de uma Vida sem Sentido – Caminhos para encontrar a razão de viver

A É Realizações tem um catálogo repleto de títulos que tratam das ciências do espírito. Acompanhe nossas novidades por aqui!

Comentário

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  1. O que não está escrito nos meus livros. Fiquei muito interessada nesse livro de memórias de Viktor. Onde encontrá- lo?

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