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A Medida de Todas as Coisas

AUTOR:
Vélez, Pedro Llosa

Editora:
É Realizações

Gênero:
Literatura

Subgênero:
Literatura Estrangeira

Formato:
14 x 21 cm

Número de Páginas:
264

Acabamento:
Brochura

ISBN:
978-85-8033-387-9

Ano:
2019
Pertence à coleção:
Coleção Ficções Filosóficas

Tags:
Literatura

A Medida de Todas as Coisas

R$64,90

Sinopse

Com posfácio de Mario Vargas Llosa, A Medida de Todas as Coisas apresenta uma revelação das letras peruanas: Pedro Llosa Vélez, escritor com uma rica formação intelectual, que transitou por economia, literatura e filosofia, entre a América e a Europa. O livro reúne seis contos, em todos os quais sobressaem a atualidade política, a acurácia filosófica e a inventividade estilística. As histórias falam sobre crises de relacionamento, o encanto das memórias de infância, a degradação da arte pelo interesse econômico e pela desinformação. No percurso, retratam-se os vícios da academia, as dificuldades vividas por imigrantes, a tentação da pseudointelectualidade. Questionam-se a coerência entre crença e prática, a comensurabilidade entre as culturas, o lugar da transgressão na vida humana. Comparecem, nos enredos ou em epígrafes, Juan Carlos Onetti, Axel Honneth, G. A. Cohen, Julio Ramón Ribeyro, Protágoras. E alterna-se, com virtuosismo, entre cenas paralelas, os discursos direto e indireto, as ambientações na Europa e no Peru, as narrações em primeira, segunda e terceira pessoas, a lembrança, a reflexão e a imaginação.

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    Dois Olhares do Efêmero

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    O Estado de S. Paulo | 25 de janeiro de 2020

    Disponível em PDF

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SOBRE O LIVRO

A heterogeneidade da formação intelectual e da experiência de vida de Pedro Llosa Vélez se reflete na riqueza das histórias reunidas em A Medida de Todas as Coisas. O volume está dividido em duas partes, cada uma delas composta por três contos. Em “Só umas fotografias” – homenagem a um tema do grande escritor latino-americano Juan Carlos Onetti –, um acontecimento fortuito se torna catalisador de novas possibilidades. O casal de personagens, um professor de economia e uma funcionária de ONG, foi sempre marcado pela frequência com que ambos viajavam, na maioria das vezes separados. Quando faziam-no juntos, um inconveniente para o marido era a insistência da esposa em fotografar intensamente o passeio: valia a pena distanciar-se da experiência presente só para fornecer ao futuro uma janela para o passado? Ironicamente, é um acesso desse tipo que agora se abre ao professor. Entre cédulas de diferentes moedas, que a mulher lhe dera havia um ano para que usasse em sala de aula, ele descobre fotos de mais de uma década antes, em que ela aparece em cenas íntimas ora com um ora com outro homem. O impacto das imagens estimula nele novas atitudes – seja como marido, seja como professor.

Tão inovadores na forma como provocativos no conteúdo, os contos de A Medida de Todas as Coisas são narrados com mestria por Pedro Llosa Vélez. “Alvoradas” traz um novo casal, de um mestrando em filosofia afligido pela má recepção dos professores da Holanda ao uso que ele faz de autores como Axel Honneth e Amartya Sen para abordar problemas sociais do Peru e uma profissional das comunicações assertiva e algo aventureira. Apesar dos atritos, o estudante pretende continuar em Haia em vez de voltar a Madri, onde mora a companheira; mas desfechos imprevistos estão guardados tanto para os impasses acadêmicos como para as chateações conjugais. “Caçadores de ostras” sobrepõe as memórias de uma infância idílica ao debate sobre a imaginação utópica, intercalando os relatos de uma crise afetiva e da vida do filósofo político G. A. Cohen. Um casal de noivos está passando uma temporada na praia, local de que o rapaz se lembra com carinho, desde que, criança, costumava frequentá-lo com a família. Mas o cenário está mudado, preenchido por novas construções – inclusive a que os hospeda, oferecida pela irmã da noiva, economista casada com um banqueiro. Exatamente essa conformidade ao status quo incomoda o noivo, cujo drama é narrado em paralelo à apresentação das ideias expostas nos textos “Se você é igualitarista, como pode ser tão rico?” e Why Not Socialism?, de Cohen.

A segunda parte da coletânea começa com o conto “O cantador de feira”, por sua vez aberto com uma epígrafe do jornalista marxista peruano José Carlos Mariátegui. O tímido e sério Bernardo Rosi, editor de política do periódico El Consorcio, tem a monotonia de sua rotina perturbada quando aceita publicar uma coluna de Antonio Landaure, ex-empresário da construção civil, agora ambientalista, de uma família de artistas e economicamente influente sobre o jornal. Seu artigo critica, apoiado em Ludwig von Mises, um preconceito à riqueza alegadamente disseminado por Montaigne e infundido na cultura peruana por meio de duas das suas maiores figuras literárias, César Vallejo e Julio Ramón Ribeyro. Como percebe um filósofo e amigo de Rosi, o colunista reproduziu uma avaliação estapafúrdia feita na internet por um youtuber libertário. A repercussão negativa do texto arruína até o encontro romântico de Bernardo com uma culta e atraente editora. Na verdade, suas conversas e relações passam a ter sucesso apenas com quem restringe a literatura, deliberadamente ou não, a um papel motivacional. O mesmo Julio Ramón Ribeyro a quem Landaure impôs ressalvas dá a Pedro Llosa Vélez a epígrafe do conto seguinte, “O príncipe do lixo”. Nele, um holandês especialista em economia do lixo apresenta à prefeitura de Lima um novo projeto de saneamento urbano, enquanto uma dupla de empreendedores informais idealiza um plano de monitoramento do lixo de cidadãos de classe alta que mapeasse seu perfil de consumo – informação que eles então venderiam a grandes marcas. A Medida de Todas as Coisasé encerrado, à altura, pelo conto que dá título ao livro.

 

ENDOSSOS

“Como sempre, em literatura, é a forma que enriquece ou empobrece o conteúdo, e a forma será tanto mais bem-sucedida quanto mais invisível ela for. É o que acontece nestas histórias: em cada uma delas, o leitor tem a certeza de que esta, e não outra, era a única maneira de contar, para que ficassem tão genuínas, tão convincentes e tão sutis. Todas são excelentes, sem que nenhuma tenha falhas ou enfraqueça o conjunto, e todas demonstram a segurança e mestria de um narrador que se aproxima ou se afasta, exibe-se ou desaparece para encher de mistério, dramaticidade, nostalgia ou humor aquilo que está contando.” – Do posfácio de MARIO VARGAS LLOSA, Prêmio Nobel de Literatura (2010)

“Este conjunto de narrativas coloca Pedro Llosa Vélez na primeira linha da narrativa peruana recente, a qual trouxe uma renovação tanto nas táticas estruturais quanto na temática. Sua profundidade atravessa as camadas que vão se enroscando para nos oferecer, a respeito de um imponente catálogo de filósofos e de economistas, momentos aparentemente habituais, mas que são resultado de uma complexidade discursiva e sentimental. Estes relatos reúnem o melhor de nossa tradição peruana de contos, e ampliam suas possibilidades.” – RUBÉN QUIROZ, Revista Letras (2019)

“Não é só das complexidades das relações amorosas que trata este livro. Dificuldades maiores, como a natureza do migrante ou as dores da cultura neoliberal instaurada, também nos aproximam de uma sensação de fastio e de impotência. A partir desse incômodo, o autor narra com grande destreza e elegância. Ele pode aplicar uma cota de humor preciso e ao mesmo tempo permitir-se fazer alusões intelectuais que não parecem forçadas. Mas, acima de tudo, ele nos lança sem misericórdia (e às vezes sem que percebamos) na direção daquilo que, às vezes, parece impossível: a capacidade de compreensão entre os seres humanos, em todos os âmbitos das nossas vidas.” – JUAN CARLOS FANGACIO, Jornal El Comercio (2017)

“O escritor tem algo a dizer sobre a vida, sobre a existência, sobre aquilo que julga ser a estética, e esse é Pedro Llosa Vélez.” – OSWALDO REYNOSO, romancista e poeta peruano

 

CURIOSIDADES

• O livro conta com posfácio de Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel de Literatura de 2010.

• Pedro Llosa Vélez importa para estes contos a versatilidade que adquiriu nas carreiras acadêmica e profissional, contemplando a filosofia, a economia e a história da literatura.

• Entre os temas que emergem destas ficções estão as crises conjugais, o eurocentrismo, a infância, a vulnerabilidade dos migrantes, a presunção da classe intelectual, a comensurabilidade entre as culturas, a coerência entre crença e prática, a corrupção político-social, os maus efeitos do neoliberalismo – alguns assuntos perenes, todos de relevância atual.

• No estilo a obra é extremamente inovadora, sobrepondo com habilidade cenas paralelas, os discursos direto e indireto, as ambientações na Europa e no Peru, as narrações em primeira, segunda e terceira pessoas, a lembrança, a reflexão e a imaginação.

• Figuras da arte e do pensamento são aludidas de modo enriquecedor (e em nada pedante) no interior das narrativas: Juan Carlos Onetti, Axel Honneth, Amartya Sen, G. A. Cohen, John Rawls, Michel de Montaigne, Ludwig von Mises, Julio Ramón Ribeyro, César Vallejo, Protágoras, etc.

• As histórias que compõem A Medida de Todas as Coisas aglutinam-se organicamente, aparentadas que são pelo clima, pelo estilo e pelos temas.

• O autor tem sido saudado, por autoridades do porte de Oswaldo Reynoso, como uma revelação das letras peruanas.

• Nossa tradução é assinada pelo premiado romancista brasileiro Antonio Fernando Borges.

 

SUA LEITURA SERÁ ESPECIALMENTE PROVEITOSA PARA:

• Admiradores da literatura contemporânea ou da literatura latino-americana.

• Apreciadores do gênero conto.

• Leitores de Mario Vargas Llosa ou Oswaldo Reynoso, escritores que assinam endossos à obra.

• Professores de literatura latino-americana contemporânea.

• Estudantes de letras, filosofia, economia ou ciências sociais.

• Pesquisadores dos autores ou temas aludidos no decorrer das histórias: Juan Carlos Onetti, Axel Honneth, Amartya Sen, G. A. Cohen, John Rawls, Michel de Montaigne, Ludwig von Mises, Julio Ramón Ribeyro, César Vallejo, Protágoras, crises conjugais, eurocentrismo, memórias da infância, imigração, transgressão, corrupção, comensurabilidade entre culturas, maus efeitos do neoliberalismo.