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A História de Rasselas, Príncipe da Abissínia

AUTOR:
Johnson, Samuel

TRADUÇÃO:
Consentino, Marcelo

PREFÁCIO:
Dalrymple, Theodore

Editora:
É Realizações

Gênero:
Literatura

Subgênero:
Literatura Estrangeira

Formato:
14 x 21 cm

Número de Páginas:
384

Acabamento:
Brochura

ISBN:
978-85-8033-367-1

Ano:
2019
Pertence à coleção:
Coleção Ficções Filosóficas

Tags:
literatura inglesa, fábula filosófica, felicidade, críticas a utopias, Cândido (Voltaire) e Etiópia

A História de Rasselas, Príncipe da Abissínia

R$69,90

Sinopse

Com prefácio de Theodore Dalrymple e em edição bilíngue, A História de Rasselas, Príncipe da Abissínia é uma fábula reverenciada por autores como Coleridge, Jane Austen e C. S. Lewis. Ela ensina que a felicidade não é algo que se conquiste, já que quem se ocupa de procurá-la acaba deixando de viver. Os filhos do Rei da Abissínia (antigo nome para a Etiópia) vivem no Vale Feliz, protegidos de infortúnios; até que Rasselas, o Príncipe, é tomado por uma insatisfação. Ele deseja conhecer as agruras do mundo, para ao menos descobrir, por contraste, o valor do lugar onde vive. Então foge, com o amigo e poeta Imlac, com a irmã Nekayah e com a criada desta, Pekuah. O grupo peregrina por terras estranhas, conhece diferentes formas de vida – a de um astrônomo, a de um eremita, a de um sábio – e percebe que por trás de cada uma delas há uma sombra de infelicidade. A semelhança com o enredo de Cândido permite que comparemos as visões de Samuel Johnson e de Voltaire – que, sugestivamente, se revelam antagônicas.

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SOBRE O LIVRO

Tão fundamental para a educação dos ingleses quanto os romances de Machado de Assis são para a formação dos brasileiros, A História de Rasselas, Príncipe da Abissínia permanecia há anos indisponível no Brasil. Aqui, ela retorna em edição bilíngue, com prefácio de Theodore Dalrymple e traduzida por Marcelo Consentino, editor e podcaster do Estado da Arte, portal de cultura do jornal O Estado de S. Paulo. Na fábula de Samuel Johnson, Rasselas é um dos filhos do Rei da Abissínia (antigo Império Etíope). Ele cresce no Vale Feliz, cercado por montanhas e com todo o lazer e conhecimento acessíveis. Mas isso não o satisfaz: os dias lhe parecem monótonos, e as alegrias que lhe são oferecidas deixam de ser significativas. O Príncipe deseja fugir, pois, como o aconselham, conhecendo os sofrimentos do mundo externo ele aprenderá o valor da sua vida de fartura. Já no planejamento da empreitada uma ambivalência das conquistas humanas se torna patente. Um artista-engenheiro tenta construir uma máquina de voar, mas decide que, caso tenha sucesso, não poderá divulgar a façanha – afinal, imagine o perigo a que estarão expostos os justos se sempre houver a chance de que homens maus sobrevoem as suas cabeças. O Príncipe precisa buscar outra maneira de fugir, e a encontra, ao lado de Imlac, um amigo poeta, Nekayah, uma das irmãs, e Pekuah, a criada da Princesa.

A História de Rasselas, Príncipe da Abissínia foi reverenciada por literatos como Jane Austen, Charlotte Brontë, Samuel Taylor Coleridge e C. S. Lewis. Não poderia ser diferente, pois este apólogo sobre a felicidade é, conforme o prefácio de Theodore Dalrymple, “uma das maiores fábulas filosóficas jamais escritas”. Quando o Príncipe e seus companheiros deixam o Vale Feliz, iniciam uma peregrinação que os apresentará a diferentes escolhas de vida, as quais inevitavelmente carregam uma sombra de infelicidade. No percurso, o grupo encontra pastores que apascentam rebanhos, um astrônomo, um eremita... Este último não aconselha a solidão a ninguém, e na verdade está ele mesmo decidido a abandonar a vida de retiro no dia seguinte. Há também o filósofo que preconiza uma vida em acordo com as leis da natureza, mas que não é capaz de explicar em que afinal consiste viver dessa forma. Depois que o sábio ensina Rasselas a submeter os afetos à razão, ele próprio é visto em grande abalo, causado pela morte de sua filha. Mesmo quando o Príncipe encontra prazer em ouvir um poeta, então tem o desgosto de interromper diariamente seus diálogos, pois afinal existem necessidades inadiáveis, como a de repousar. Onde estará, então, a felicidade? Que resposta terá dado Samuel Johnson ao problema – sugestão que o tornaria nada menos que um clássico do moralismo?

Publicada no mesmo ano que o Cândido de Voltaire (1759), A História de Rasselas, Príncipe da Abissínia não se move, como a sátira do iluminista francês, pela intenção de hostilizar as explicações religiosas para a existência do mal. A própria circunstância em que Samuel Johnson redigiu o romance indica a agudeza da reflexão que ele deseja propor. O autor escreveu Rasselas em uma semana, para pagar, com o lucro das vendas, os custos do tratamento médico – e, depois, do funeral – de sua mãe. Não que ele tenha canalizado na obra algum arroubo de ressentimento. Na verdade, o pessimismo da estória é coerente com a perspectiva que o autor já havia esboçado num ensaio conhecido, “A vaidade dos desejos humanos”. A narrativa é, além disso, construída com enorme habilidade literária, empregando o recurso então em voga da ambientação em lugares exóticos, e incorporando até mesmo um moderado senso de humor. Talvez nos pareça pouco estimulante o dito, encontrado no texto, de que “a vida humana é em toda parte um estado no qual muita coisa deve ser suportada e pouca gozada”. Mas o que ele ensina é, segundo Theodore Dalrymple, “mais valioso aos psicólogos do que as obras de todas as escolas psicológicas juntas”. Vale dizer: a felicidade não é coisa a ser conquistada, pois só pode viver quem não está demasiadamente ocupado em procurá-la.

 

ENDOSSOS

“Johnson, em Rasselas, tinha algo a dizer que é de importância duradoura, de fato de maior importância do que quando o disse pela primeira vez. [...] não há livro mais antiutópico do que Rasselas: [...] uma das maiores fábulas filosóficas jamais escritas.” – THEODORE DALRYMPLE, no prefácio

“[Samuel Johnson] é para a Inglaterra o mesmo que Emerson foi para os Estados Unidos, Goethe para a Alemanha e Montaigne para a França: o sábio nacional.” – HAROLD BLOOM

 

CURIOSIDADES

Esta edição conta com prefácio de Theodore Dalrymple, destacado crítico cultural e um dos autores mais lidos do catálogo da Editora.

• Samuel Johnson é um dos luminares da cultura britânica; este romance, o único que escreveu, vem há quase três séculos se mantendo citado e admirado ao redor do mundo.

• O impacto da obra é tão grande que ela: recebeu a deferência de personalidades como Jane Austen, Charlotte Brontë, George Eliot, Samuel Taylor Coleridge e C. S. Lewis; foi traduzida para o amárico, principal idioma etíope; dá nome a comunidades no interior dos EUA e da Austrália; e foi adaptada como radionovela pela BBC Radio 4 em 2015.

• Mesmo sendo um clássico, o livro permanecia há anos indisponível para os leitores do Brasil.

• Aqui o oferecemos em formatação bilíngue, com a íntegra do texto inglês na segunda parte do volume.

• O tema do apólogo é de interesse e de importância universais: a felicidade.

• Rasselas é um perfeito caso para o estudo do contraste entre os iluminismos francês e britânico, uma vez que sustenta perspectiva oposta à da sátira Cândido, publicada quase ao mesmo tempo por Voltaire.

• O tipo de pessimismo filosófico sugerido pela narrativa está na raiz da crítica às utopias políticas – característica da tradição conservadora, em voga na discussão contemporânea e admirada pelos leitores da É Realizações.

• A tradução aqui publicada é de Marcelo Consentino, conhecido como editor e podcasterdo Estado da Arte, portal de cultura do jornal O Estado de S. Paulo.

 

SUA LEITURA SERÁ ESPECIALMENTE PROVEITOSA PARA:

• Interessados em reflexões sobre a felicidade.

• Admiradores de Theodore Dalrymple, prefaciador do livro.

• Apreciadores da literatura britânica.

• Professores de literatura inglesa.

• Estudantes de letras ou filosofia.

• Pesquisadores de temas como reabilitação de gêneros literários, fábula filosófica, literatura inglesa do século XVIII, iluminismos francês e britânico, críticas a Voltaire, raízes intelectuais do conservadorismo político.

• Curiosos pela cultura africana, especialmente a etíope ou a egípcia.