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Senhor Ouine

AUTOR:
Bernanos, Georges

TRADUÇÃO:
Simpson, Pablo

Editora:
É Realizações

Gênero:
Literatura

Subgênero:
Literatura Estrangeira

Formato:
14 x 21 cm

Número de Páginas:
288

Acabamento:
Brochura

ISBN:
978-85-8033-241-4

Ano:
2019
Pertence à coleção:
Coleção Georges Bernanos

Tags:
literatura francesa, literatura contemporânea e escritores católicos

Senhor Ouine

R$69,90

Sinopse

Considerado por Georges Bernanos sua obra-prima, Senhor Ouine foi concluído por ele durante o exílio no Brasil. Trata-se de seu romance mais maduro, admirado por Céline, Georges Simenon e Antonin Artaud e que apresenta o personagem apontado por Alain Bosquet como um dos únicos no século XX comparáveis à grandeza de Don Juan e Fausto. Ouine é um professor aposentado que chega ao vilarejo de Fenouille, no norte da França, onde levanta suspeitas e desperta o fascínio do jovem Philippe, apelidado Steeny. Um assassinato leva ao extremo, e coloca em questão, a teia de rancores em que se embaraça a cidade. Narrada de maneira singular, a história é menos uma sequência de eventos que uma imersão na alma dos personagens, que observamos como se estivéssemos em um sonho... ou, talvez, em um pesadelo. Esta tradução, a primeira em português – e com o texto integral, não preservado pelas primeiras edições –, conta com ensaio de apresentação de Álvaro Lins e prefácio de Pierre-Robert Leclerq.

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SOBRE O LIVRO

O romance que o próprio Georges Bernanos, um dos maiores escritores do século XX, considerou sua obra-prima – e cuja redação foi concluída por ele enquanto vivia no Brasil. Senhor Ouine é uma ficção psicológica e de mistério, que tece, sobre a rede de desconfianças de um vilarejo sombrio, o relato da solidão existencial de um jovem e de seu encontro com um pretenso mestre. Em Fenouille, norte da França, Philippe é educado pela mãe, Michelle Dorsel, e pela governanta da casa, Miss Daisy. Seu pai, cujo nome herdara, foi alistado na Primeira Guerra Mundial pouco depois de se casar. Para evitar dizer o nome do marido, e também por dispensar ao jovem uma educação inglesa, Michelle – uma mulher doce, mas friamente egoísta – apelida o filho de Steeny. Prestes a alcançar a maioridade, e por isso mesmo ainda algo pueril, ele deseja desbravar o mundo, motivação que o faz seguir Ginette de Néréis, castelã de Wambescourt. A mulher de hábitos extravagantes, conhecida como Perna-de-lã, recebe um inquilino “vindo não se sabe de onde, numa noite”: o ex-professor de línguas, e tuberculoso, Ouine. Estranhamente influente, ele transforma o marido da anfitriã, Anthelme de Néréis, de alegre beberrão em pretendente a intelectual. E também seduz Philippe, momentos antes de o aparecimento de um cadáver chocar e alvoroçar o vilarejo.

Último romance de Georges Bernanos, Senhor Ouine foi celebrado por figuras como Céline, Georges Simenon e Antonin Artaud. Seu protagonista foi colocado pelo premiado poeta ucraniano naturalizado francês Alain Bosquet ao lado de Ferdinand Bardamu (da Viagem ao Fim da Noite, de Céline) como um dos dois únicos personagens literários do século XX de grandeza comparável a Fausto e Don Juan. Com um nome que significa literalmente “Sim-Não”, Ouine é como um abismo de incerteza em que afundam todos que dele se aproximam. Na mesma noite em que Philippe se deixa cativar por ele, o senhor de Néréis, agora à beira da morte, conta ao rapaz algo a respeito de seu pai – e como discernir entre o delírio de um moribundo e a revelação de uma verdade apodrecida? Igualmente difícil de discernir é a veracidade da acusação que Ouine sofre da senhora de Néréis, que o hospeda. Terá mesmo o professor alguma relação com o assassinato do criado amanhecido morto no lago? No velório do pequeno vaqueiro, o padre surpreende a todos com uma veemente repreensão: aquele cadáver, como as demais tragédias que circundaram o crime, simbolizava o pecado coletivo da cidade. Verdadeiro centro do romance, a colérica homilia incorpora temas típicos da prosa bernanosiana – e, sugestivamente, desperta reações que beiram a insanidade.

Acompanhada de prefácio de Pierre-Robert Leclerq e texto de apresentação de Álvaro Lins, esta tradução – assinada por Pablo Simpson, especialista em literatura francesa pós-doutorado pela Université Paris III (Sorbonne Nouvelle) – é a primeira em língua portuguesa, e traz o texto integral, diferentemente das primeiras edições. O apuro do volume deixa ver a genialidade de Georges Bernanos, que ousou experimentar em Senhor Ouineuma forma não convencional de narrativa. A história se compõe de aproximadamente trinta cenas, espalhadas em cerca de dez cenários. Embora se conheçam o tempo e o lugar da trama, não são eles que importam, nem mesmo os eventos em si. Importa, antes, a alma de cada personagem, que visitamos como num sonho – ou, como o enredo brilhantemente faz parecer, num pesadelo. Por um lado, o estilo reproduz a nebulosidade do mal, tematizada na obra; por outro lado, ele nos arranca da curiosidade mórbida que justamente, no romance, faz o vilarejo arruinar-se. O mistério policial, os dramas existenciais e os vínculos de paixão são aqui fagulhas de uma reflexão mais profunda, sobre a era moderna e sobre o espírito humano. Este romance é um convite a que ultrapassemos a banalidade cotidiana e, desbravando as trevas de nossa natureza, sejamos (não entretidos pela verossimilhança, mas) confrontados pela realidade.

 

ENDOSSOS

“Uma das obras-primas da literatura que desafiam o tempo, pródiga em páginas poderosas, fulgurantes como uma réplica, com o peso de um aforismo e a força de palavras que extraem sua eficácia da simplicidade. Assim é Senhor Ouine. [...] ápice da arte de Bernanos.”
– PIERRE-ROBERT LECLERQ

“O mais requintado [...] de seus romances.”
– ÁLVARO LINS

“Senhor Ouine é a obra-prima de Georges Bernanos, o livro em que foi mais longe na exploração de seu mundo interior e no qual se arriscou a inventar as formas de expressão e de composição mais aptas a traduzir a sua visão pessoal.”
– ALBERT BÉGUIN

“Ouine é certamente o personagem mais inquietante da galeria do romance internacional.”
– JEAN-LOUIS BORY, Le Magazine Littéraire

“Senhor Ouine nos permite ver o que normalmente permanece escondido: o combate entre Jacó e o Anjo; aqui o combate do escritor com a boca do caos, e a vitória, mesmo frágil, do primeiro sobre o rumor jamais apaziguado do segundo.”
– JUAN ASENSIO

 

CURIOSIDADES

• Georges Bernanos foi um dos maiores escritores do século XX, ainda hoje um ícone da literatura francesa, conhecido também pelas adaptações cinematográficas de seus livros Diário de um Pároco de Aldeia, Sob o Sol de Satã, Nova História de Mouchette e Diálogos das Carmelitas – todos editados pela É Realizações.

• Senhor Ouine foi considerado pelo próprio autor, e igualmente por críticos como Álvaro Lins, a sua obra-prima.

• O romance terminou de ser escrito durante o exílio de Bernanos em Minas Gerais, num caderno escolar cuja capa trazia a imagem da bandeira do Brasil.

• A primeira edição (lançada aqui), porém, foi publicada com o texto incompleto. Esta é a primeira vez que o texto integral fica disponível no país.

• Bernanos ousa, neste volume, experimentar métodos pouco usuais de narrativa, e conjugar aspectos do romance psicológico a aspectos do romance policial.

• Com a trama, ele sintetiza diagnósticos culturais que estão expressos, em forma de ensaio, nos livros Os Grandes Cemitérios sob a Lua e A França contra os Robôs, que também compõem a coleção.

• Este escrito foi admirado por gigantes como Céline, Georges Simenon e Antonin Artaud. O premiado poeta Alain Bosquet elegeu Ouine como um dos dois únicos personagens literários do século XX com grandeza comparável à de Fausto e Don Juan.

• Nossa tradução conta com apresentação à edição brasileira de Álvaro Lins e com prefácio de Pierre-Robert Leclerq.

• Pablo Simpson, o tradutor, é especialista em literatura francesa, professor da Unesp - São José do Rio Preto, doutor em teoria e história literária pela Unicamp, com estágio na Université Marc Bloch de Strasbourg e pós-doutorado pela Université Paris III - Sorbonne Nouvelle e pela USP.

 

SUA LEITURA SERÁ ESPECIALMENTE PROVEITOSA PARA:

• Admiradores de Georges Bernanos.

• Apreciadores de literatura francesa ou literatura contemporânea.

• Leitores de romances policiais e romances psicológicos.

• Interessados na obra ficcional de escritores católicos.

• Estudiosos dos artistas e intelectuais influenciados por Bernanos: Hans Urs von Balthasar, Dietrich Bonhoeffer, Alceu Amoroso Lima, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Fernando Sabino, Álvaro Lins, etc.

• Pesquisadores de temas como literatura e sagrado, escritores exilados no Brasil, antiniilismo.

• Professores de literatura francesa do século XX.

• Estudantes de letras ou teologia.