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Retorno de Chernobyl - Diário de um homem irado

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AUTOR:
Dupuy, Jean-Pierre

TRADUÇÃO:
Sette-Câmara, Pedro

Editora:
É Realizações

Gênero:
Ciências Humanas e Sociais

Subgênero:
Antropologia

Formato:
14 x 21 cm

Número de Páginas:
176

Acabamento:
Brochura

ISBN:
978-65-86217-16-2

Ano:
2020
Pertence à coleção:
Biblioteca René Girard

Tags:
Chernobyl, catástrofes e René Girard

Retorno de Chernobyl - Diário de um homem irado

R$59,90 R$41,93

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Sinopse

Em 2005, às vésperas dos vinte anos da maior catástrofe nuclear da história, Jean-Pierre Dupuy foi a Kiev para participar de um curso de verão dedicado à análise das consequências da tragédia de Chernobyl. Ao retornar, decidiu continuar suas pesquisas, quando descobriu com revolta que não apenas os dados oficiais divulgados pelo Fórum Chernobyl são mentirosos, mas também colossais interesses políticos e econômicos por trás das narrativas e justificativas que viu in loco, assim como nos “estudos” que o mundo tem acesso. No entanto, o paradoxo filosófico vigoroso, cerne deste livro, é: “o que ameaça, salva?”. A questão é pertinente porque a civilização tecnológica não pode abrir mão da energia nuclear – mas como ficam determinadas questões éticas? (Ou melhor, humanas?) Retorno de Chernobyl, integrante da Biblioteca René Girard, traz uma reflexão filosófica que resgata, entre tantos conceitos e referências, o esclarecimento girardiano sobre a racionalidade que prevalece nos escombros dos sagrados tradicionais; o que, nesse contexto, revela as “falsas transcendências”, que o autor chama de “bomba” e “técnica”. Publicado originalmente em francês em 2006, a reflexão continua urgente e chega em língua portuguesa com prefácio de Maurício G. Righi e ensaio de João Cezar de Castro Rocha. Entre as reflexões inescapáveis, uma aterradora: a nossa visão curta será a grande responsável pelas catástrofes vindouras.

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SOBRE O LIVRO

“Ninguém volta incólume de uma viagem a Chernobyl.” É assim que Jean-Pierre Dupuy abre Retorno de Chernobyl, o mais recente lançamento da É Realizações. Mais que uma frase de efeito narrativo, ela revela a emoção que submerge, entre tantas outras, no íntimo do autor: a revolta. Em 2005, Dupuy visitou o coração da tragédia nuclear ocorrida em 1986, e no ano seguinte publicou em francês os relatos, em forma de diário. A viagem foi com a finalidade de participar de um curso de verão na Universidade Taras Chevtchenko, em Kiev, dedicado à análise das consequências da catástrofe. Como se não fosse impactante o bastante ver in loco minúcias da fatalidade radioativa, ao retornar e continuar suas pesquisas, Dupuy se deu conta do enredado de omissões, mentiras e oportunismos que, desde o dia 26 de abril de 1986, irradia sobre a cidade de Pripyat e alimenta não só os cadernos científicos e políticos do mundo, mas também os de cultura, uma vez que inspirou livros, filmes e séries aclamados. “Fui induzido ao erro, fui enganado”, conta Dupuy em Retorno de Chernobyl. E assim, usando como instrumento toda sua indignação, o filósofo protesta, revela suas descobertas e alerta sobre elas. Dupuy questiona, por exemplo, as conclusões publicadas no relatório do Fórum de Chernobyl, composto por um grupo de agências da ONU. Para embasar seus argumentos, contou com publicações de consistência no meio editorial e científico, escritos que desmentem os dados oficiais. A respeito do relatório do Fórum de Chernobyl, por exemplo, escreve: “os especialistas que nos garantem que Chernobyl terá deixado 4 mil mortos não precisaram plantar uma floresta de cadáveres para dissimular as dezenas de milhares de mortos que omitiram em sua contagem macabra”. Parte da Biblioteca René Girard, o livro consiste numa meditação filosófica que resgata, entre tantos conceitos e referências, o esclarecimento girardiano a respeito da racionalidade que prevalece nos escombros dos sagrados tradicionais; o que, neste contexto, revela as “falsas transcendências” e as “sacralizações secundárias”, as quais Dupuy chama de “bomba” e “técnica”.

Retorno de Chernobyl reflete também sobre ética, a capacidade do homem de se adaptar a tudo, assim como a frieza de nossos tempos que, além de facilmente receber – e viver! – uma tragédia como algo banal, ainda consegue encontrar meios de lucrar com ela. Um dos questionamentos mais instigante do livro, inclusive, é: “será que a arte serve a verdade quando a recria e a estetiza?”. Para o autor, catástrofes como a de Chernobyl não são meros contingentes, mas consequências de inúmeras decisões que, dotadas de miopia – e repletas de malícia ou egoísmo –, acabam por chancelar o terror como algo inevitável. Retorno de Chernobyl é também um esforço de Jean-Pierre Dupuy de compreender o potencial que o homem tem de travestir a verdade.