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Pós-História - Vinte instantâneos e um modo de usar

AUTOR:
Flusser, Vilém

Editora:
É Realizações

Gênero:
Filosofia

Subgênero:
Filosofia

Formato:
14 x 21 cm

Número de Páginas:
240

Acabamento:
Brochura

ISBN:
978-85-8033-377-0

Ano:
2019
Pertence à coleção:
Biblioteca Vilém Flusser

Tags:
filosofia da história, história do Ocidente, modernidade tardia, hipermodernidade, pós-modernidade, ontologia e história e pós-Segunda Guerra

Pós-História - Vinte instantâneos e um modo de usar

R$69,90

Sinopse

Pensador visionário, Vilém Flusser é cada vez mais reconhecido como um filósofo que tratou de problemas que se tornariam centrais para o século XXI. Pós-História é talvez a obra em que essa potência fica mais evidente. A hipótese do livro é que vivemos em estado de permanente anticlímax, distraindo a nós mesmos e a outros do fato de não mais podermos acreditar no ser humano. Com o procedimento de transcender para identificar objetos, o Ocidente forjou uma utopia, e nós a alcançamos: agora funcionamos no interior de aparelhos. O impensável absurdo que foi Auschwitz desvendou a índole de nossa civilização. Eventos históricos continuam a ocorrer mas são reduzidos a tecnoimagens, devoradas com sensacionalismo. Modelos são transmitidos infindavelmente, num totalitarismo camuflado. Não só pessimista mas sobretudo inconformista, este volume é uma leitura inquietante, tornada ainda mais pertinente pela atenção que o autor concede às particularidades da circunstância brasileira.

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SOBRE O LIVRO

Vilém Flusser é célebre por ter percebido cedo problemas que só agora estão tendo a sua importância notada. Este livro é o exemplo mais contundente dessa qualidade. Aqui o filósofo tcheco-brasileiro ousa propor uma descrição original da época contemporânea, aplicando as análises da tecnologia e da comunicação feitas em outras obras ao exame das características do nosso período. Segundo o pensador, nós vivemos sem chão, abalados pelo desmascaramento da cultura que nos abriga. O Ocidente, que sempre se caracterizou pela obsessão de discernir indivíduos, identificar objetos, apontar às coisas com o fim de nomeá-las, nutriu assim uma utopia. A culminação dessa tendência é submeter tudo a aparelhos: algo concretizado de maneira inominável em Auschwitz. Depois desse evento, a própria atitude de designar o que está fora de si – fundamento do amor ao próximo e do amor a Deus – se tornou impensável. É impossível confiarmos ainda outra vez no ser humano, e este estado coincide à independência adquirida pelos programas que desenvolvemos. Sendo esta a revolução em curso, toda conquista tecnológica, por mais impressionante, não é mais que contrarrevolucionária, um paliativo ao desamparo. Na Pós-História, se nos resta alguma religiosidade, esta é a de uma paródia de catolicismo, é a da contrarreforma.

Este livro está intimamente associado a Elogio da Superficialidade porque “o universo das imagens técnicas”, tema da outra obra, é o cenário em que se instaura a situação pós-histórica. Vilém Flusser não sugere que a história terminou; ele trata, antes, de reconhecer que os acontecimentos são apreendidos de uma nova forma. Os eventos são capturados em tecnoimagens, planas e multiplicáveis, passíveis de serem transformadas em programas. Por sua vez, estes se absorvem em metaprogramas, a única liberdade possível sendo assumir essa absurdidade. Como no período barroco, somos a um só tempo magicistas fanáticos e racionalistas. Vivemos como fantasmas perdidos enquanto o poder é exercido pelas imagens. Estas remetem somente a si mesmas, apresentam-se como se surgissem prontas: reversão da linearidade que caracteriza a escrita, portanto a história. Evitamos ao máximo ser tensionados de um ponto a outro; procuramos o relaxamento, a diversão – com a qual se confundem até a informação e o conhecimento. Pós-História promove, em certa medida, um retorno à escrita, um despertar da consciência histórico-política; mas de maneira dialógica. Originalmente escritos para aulas (ministradas em Marseille, Jerusalém e São Paulo, em inglês e francês), os capítulos foram reformulados pelo autor em português, sempre preservando o tom de oralidade.

Pós-Históriaabre com um “Modo de usar”, texto que se autodeclara descartável e que ironiza o tipo de circulação a que Vilém Flusser não quer submeter a sua obra – o do consumo. O livro não se compromete a dar dicas ou conselhos, mas a provocar o pensamento. Seus capítulos não exigem leitura ordenada, embora esta seja recomendável para compreender a plenitude do argumento. Ao “Modo de usar” se seguem os “vinte instantâneos”: uma descrição dos abalos recentes no Ocidente e em sua ontologia (“O chão que pisamos”); um exercício de contraste entre a descoberta de nossa nova situação pelo Velho Mundo e a dependência que é mantida pelos países periféricos em relação a sistemas e ideologias caducantes (“Retorno”); entre os polos, dezoito flashes que retratam nossa época e evidenciam, nela, a onipresença dos aparelhos (“Nosso céu”, “Nosso programa”, “Nosso trabalho”...). Esta edição é enriquecida com posfácios de Rodrigo Petronio, um dos coordenadores da coleção; Andrew Fisher, professor do Departamento de Culturas Visuais da Goldsmiths (Universidade de Londres); Raphael Dall’Anese, doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e pós-doutorando em Educação, Artes e História da Cultura pela Universidade Mackenzie; e João Borba, professor de Ciência Política e Filosofia, com doutorado pela PUC-SP.


CURIOSIDADES

• Pós-História é possivelmente o livro em que mais fica clara a capacidade visionária de Vilém Flusser.

• O pioneirismo, aqui, é acompanhado da responsabilidade de lidar com um tema decisivo: para o autor, o advento da sociedade industrial, de que hoje se veem desdobramentos, é de importância comparável à da invenção da escrita e do início da história.

• A gravidade do argumento não o faz sucumbir a um completo pessimismo, pois o texto oscila entre fatalismo e indeterminação, deixando encontrarmos no acaso a oportunidade de ser inconformistas.

• O ensaio desenvolve uma espécie de ontologia relacional, que hoje, mais ainda que na época do autor, é uma exigência para as discussões filosóficas.

• Flusser escreveu para sugerir ideias em particular aos jovens, que hoje podem ler com maior proveito este volume.

• Neste escrito se notam instigantes pontos de contato com outros títulos da Biblioteca Vilém Flusser, em particular Elogio da Superficialidade, Filosofia da Caixa Preta, Da Dúvida e O Último Juízo: Gerações.

• Esta coleção é coordenada por Rodrigo Petronio, colaborador de Dora Ferreira da Silva, poetisa com quem Flusser se correspondeu intensamente, e Rodrigo Maltez Novaes, pesquisador de doutorado filiado ao Arquivo Vilém Flusser da Alemanha.

• Nossa edição faz jus ao pioneirismo das ideias de Flusser ao apresentá-las com um projeto gráfico moderno e sofisticado.

 

SUA LEITURA SERÁ ESPECIALMENTE PROVEITOSA PARA:

• Leitores de Vilém Flusser.

• Apreciadores do ensaísmo filosófico de língua portuguesa.

• Admiradores do círculo intelectual a que Flusser se associou em São Paulo (notadamente, o Instituto Brasileiro de Filosofia) ou dos estudiosos que ele teve como interlocutores (por exemplo, Vicente Ferreira da Silva, Guimarães Rosa e Celso Lafer).

• Estudantes de filosofia ou ciências sociais.

• Pesquisadores de temas como hipermodernidade, modernidade tardia, pós-modernidade, teorias da modernidade, fim da metafísica, filosofia pós-Segunda Guerra Mundial, pós-humanismo, pensadores europeus exilados no Brasil.

• Professores de filosofia contemporânea, filosofia da história ou sociologia contemporânea.