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Atentado a Bolsonaro: como o livro “A Faca Entrou” e o fato se relacionam

E se o atentado a Bolsonaro comprovasse que não só “a vida imita a arte”, mas também – e infelizmente – a política às vezes imita a crítica social?

Talvez esse seja o caso; afinal, mais de um comentarista destacou o fato de que testemunhamos uma coincidência singular. Justo neste ano de eleições turbulentas, abaladas em um momento decisivo por uma agressão a faca contra o líder das pesquisas de intenção de voto, um dos lançamentos de maior repercussão no gênero da crítica cultural foi…

… um livro chamado A Faca Entrou!

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Capa do livro A Faca Entrou – Assassinos reais e a nossa cultura, de Theodore Dalrymple, publicado pela É Realizações. [Foto: Divulgação]
Seu autor é um dos mais celebrados conservadores da atualidade, e veio ao país em abril lançar o livro no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Um dos eventos, aliás, teve entre as atrações principais, além da palestra de Theodore Dalrymple, uma mesa-redonda com então pré-candidatos à presidência.

O que propõe esse livro? O que se sabe sobre o atentado a Bolsonaro? Como a obra ajuda a entender o lamentável ocorrido?

Para ficar por dentro, continue a leitura deste post até o fim!

O atentado a Jair Bolsonaro

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O candidato à presidência Jair Bolsonaro foi vítima de um ataque a faca em Minas Gerais. [Foto: Raysa Leite/AFP]
Uma corrida à presidência já marcada por excepcionais conturbações recebeu o abalo, em 6 de setembro, de um acontecimento assustador.

Jair Messias Bolsonaro, candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto para o cargo, foi vítima de uma agressão a faca enquanto cumpria uma passeata de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Ainda não assimilou o fato, diante da enxurrada de análises e especulações que o encobriram?

Nesta seção do post, você compreenderá – de maneira objetiva – como ocorreu o atentado a Bolsonaro, quem realizou o ataque e qual repercussão ele desencadeou na imprensa e nas redes sociais.

Como ocorreu o atentado a Bolsonaro?

O candidato Bolsonaro promovia, naquela quinta-feira (6/9), atos de campanha no interior de Minas Gerais.

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Jair Bolsonaro estava em um ato de campanha, em Juiz de Fora, quando recebeu um golpe a faca. [Foto: Agência Estado]
Um comício estava agendado para a noite, em Juiz de Fora. Antes dele, na mesma cidade, o político e seus simpatizantes faziam uma caminhada na região do Parque Halfeld e da Câmara Municipal.

Passados poucos minutos desde o início da passeata, ocorreu o atentado a Bolsonaro.

O candidato do PSL era carregado nos ombros por um dos participantes da caminhada quando, no alto, recebeu um golpe a faca. Com expressão de muita dor, Bolsonaro foi amparado pelos caminhantes e levado às pressas para a Santa Casa da cidade.

Desde as 15h40, momento do atentado a Bolsonaro, até o instante da cirurgia por que passou no hospital, o político perdeu, segundo o relato dos médicos, 2 litros e meio de sangue – nada menos que 40% do volume sanguíneo médio de um indivíduo.

A hemorragia foi estancada pela operação de emergência, mas o tratamento continua. Entre os ferimentos há três perfurações no intestino delgado e ainda outra no intestino grosso. Bolsonaro foi equipado com uma bolsa de colostomia, que deverá utilizar por até três meses.

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O candidato é transferido para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. [Fonte: Divulgação]
Da UTI da Santa Casa de Juiz de Fora, o deputado seguiu para o Hospital Israelita Albert Einstein, onde continuou o tratamento. Em São Paulo, ele passou por outra cirurgia, menor, e se submeteu a uma bateria de sessões de fisioterapia. Bolsonaro recebeu alta hospitalar no dia 29 de setembro de 2018.

Quem é o agressor de Bolsonaro?

O autor do ataque a faca contra Jair Bolsonaro é Adelio Bispo de Oliveira, que foi detido em flagrante.

Não se sabe muito sobre ele, exceto que tem 40 anos, vem de Montes Claros, é formado em pedagogia, foi filiado ao PSOL de 2007 a 2014 e trabalhava como garçom em Juiz de Fora.

Sua defesa afirma que ele não tinha intenção de matar, com a facada, o candidato Bolsonaro. Em conversa com policiais, o agressor alegou motivações religiosas, relatando que cometeu o atentado a Bolsonaro “a mando de Deus”.

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Jair Bolsonaro estava em um ato de campanha, em Juiz de Fora, quando recebeu um golpe a faca de Adelio Bispo de Oliveira. [Foto: Agência Estado]
Na internet, suas publicações demonstram aversão ao presidenciável do PSL, mas não só. Demais candidatos, como Henrique Meirelles, e ainda outros políticos, como o presidente Michel Temer, recebem nas redes sociais as críticas de Adelio Bispo. Outros alvos reiterados do repúdio do esfaqueador são a maçonaria e a causa LGBT.

Repercussão na imprensa e nas redes sociais

O atentado a Bolsonaro, com seus desdobramentos, tornou-se o foco da cobertura das eleições a partir do dia 6. E o impacto do acontecimento não se limitou ao Brasil.

No Washington Post, foi lembrado que a cena violenta envolveu exatamente o candidato que é “nostálgico” quanto à ditadura militar e que conta, entre seus aliados diretos, com ex e atuais militares.

O Le Monde avaliou que o atentado a Bolsonaro deixou o Brasil “em estado de choque” e pode ocasionar prejuízos políticos “incalculáveis”.

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O atentado a Bolsonaro é destaque na imprensa internacional, como no jornal Le Monde. [Imagem: Divulgação]
A revista Bloomberg destacou que a candidatura de Bolsonaro extrai sua força da retórica politicamente incorreta do militar da reserva, que mantém relações pouco amistosas com minorias organizadas. Os posicionamentos polêmicos do deputado também foram mencionados pelo The Guardian.

Já no Express, a notícia foi ocasião para que se ratificasse um apelido algumas outras vezes empregado em referência a Bolsonaro: o de “Trump brasileiro”.

Uma vez que o candidato passou semanas internado, sua campanha tem sido realizada, desde o ataque, prioritariamente através das redes sociais.

atentado a bolsonaro - foto hospital
Bolsonaro divulga foto de sua recuperação no hospital. [Foto: Facebook]
Em torno do evento, inúmeros comentários têm sido publicados e compartilhados. A violência e o ódio, é evidente, são rechaçados por todos os opinadores sensatos, e análises mais minuciosas arriscam explicações psicológicas e sociológicas para o ocorrido.

Entre os artigos publicados na imprensa e muito compartilhados nas redes sociais, dois – que assumem perspectivas bastante distintas – chamam a atenção por mencionar o mesmo livro.

Ana Paula Henkel, no Estadão, e Patrícia Valim, no Brasil de Fato, destacaram a coincidência de um dos principais lançamentos de crítica cultural este ano ter sido o livro A Faca Entrou – Assassinos reais e a nossa cultura, de Theodore Dalrymple. Afinal de contas, do que trata essa obra de título “profético”?

O livro A Faca Entrou – Assassinos reais e a nossa cultura

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Theodore Dalrymple no lançamento do livro A Faca Entrou, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em abril de 2018. [Foto: É Realizações]
A Faca Entrou é o mais recente livro de Theodore Dalrymple editado no Brasil. O autor, um dos mais elogiados ensaístas conservadores atuais, é um médico britânico que  trabalhou por décadas como psiquiatra em presídios.

Antes deste lançamento, dez outros de seus livros já haviam sido publicados em português. Você com certeza ouviu falar sobre algum deles. Caso queira saber mais sobre alguma das obras abaixo de Dalrymple, basta clicar no respectivo link:

Todos os títulos têm alcançado sucesso entre os leitores. A razão para isso está na qualidade literária de Dalrymple, mas não só. Os casos relatados por ele refletem a realidade de muitos lugares do mundo. Afinal, o Dr. Dalrymple trabalhou tanto na periferia de Londres como em cidades da América Latina, do Leste Europeu e da África Oriental.

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O médico psiquiatra Theodore Dalrymple trabalhou tanto na periferia de Londres como em cidades da América Latina, do Leste Europeu e da África Oriental. [Foto: Divulgação]
Mais ainda: suas reflexões estão embasadas em uma aguçada consciência das fragilidades humanas. Não o conhecimento dos técnicos, nem o palpite dos ideólogos – antes, a sensibilidade das pessoas comuns, com suas experiências reais; e a sabedoria dos clássicos literários, que a tradição nos deixou.

Segundo Dalrymple, o assistencialismo estatal, a arrogância dos “especialistas” e o sentimentalismo de nossa cultura estimulam um círculo vicioso de degradação moral.

Ações afirmativas do dito “Estado de bem-estar social” frequentemente supõem (quando não sugerem) que os pobres auxiliados por elas são incapazes de garantir o próprio sustento. De outro lado, alguns tipos de psicologia alegam que as inclinações dos indivíduos são fruto de traumas por que eles passaram em circunstâncias remotas.

Essas tendências se somam a um discurso vitimizador e, às vezes, a uma visão política que divide a humanidade em um grupo de oprimidos e um grupo de opressores. O resultado é que cada vez menos os sujeitos se mantêm conscientes de que são os responsáveis pelas próprias decisões.

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Dalrymple narra que os criminosos atendidos por ele tendiam a negar que fossem responsáveis por suas práticas até mesmo no modo de formular seus relatos. [Foto: Pixabay]
Indício tragicômico desse fato é o que Dalrymple registrou em seu livro mais conhecido, A Vida na Sarjeta – e reanalisa na obra mais nova, A Faca Entrou.

Precisamente: os criminosos atendidos por ele tendiam a negar que fossem responsáveis por suas práticas até mesmo no modo de formular seus relatos.

Tentando colocar o crime na conta de supostas más influências, um condenado eventualmente dizia: “Eu caí na galera errada” – sem nunca referir a si próprio como um integrante da mesma galera.

Ou, no exemplo que se tornou célebre: em lugar de dizer “… por isso eu esfaqueei o fulano de tal”, muitos se expressavam deste modo estranho: “… e aí a faca entrou”.

Para não assumir que foi o sujeito ativo do crime, o paciente-presidiário optava por quase atribuir à arma uma vontade autônoma!

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Dizer “a faca entrou” ao invés de “eu esfaqueei” era uma das formas de os pacientes-presidiários não assumirem que foram os sujeitos ativos do crime. [Foto: Pixabay]
Diferentemente dos demais livros, em sua maioria escritos enquanto Dalrymple estava atuante na psiquiatria, A Faca Entrou é uma obra de maturidade. Seus capítulos são conduzidos com um tom de memórias, o que traz a vantagem de o autor comentá-los baseado no que acumulou, pelos anos, em reflexão e em vivência profissional.

O ensaísta lembra, por exemplo, ocasiões em que um acusado até admitia ter cometido o crime mas, ainda assim, algum “especialista” testemunhava no tribunal que o réu seria psicologicamente incapaz de fazer aquilo.

Em outras situações, procurava-se minimizar a culpa do réu atribuindo a ele algum distúrbio psicológico, porém a demonstração do diagnóstico era constrangedoramente circular. Em vista do que fez, o acusado só pode mesmo ser um psicopata; e apenas considerando-o um psicopata pode-se admitir que ele fez o que se alega que fez…

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Se o réu estava apto a pegar uma arma, carregá-la consigo e caminhar até o lugar onde sabia se encontrar a vítima, então ele é responsável pelo ato que praticou. Theodore Dalrymple precisou lembrar essa obviedade em mais de um júri de que participou.

Como o Dr. Dalrymple reagia a esses testemunhos? Lembrando o óbvio: que, se o réu estava apto a pegar uma arma, carregá-la consigo e caminhar até o lugar onde sabia se encontrar a vítima, então ele é responsável pelo ato que praticou.

Theodore Dalrymple não pretende ensinar nada além do evidente: cada pessoa é responsável pelas ações que executa. Seu brilhantismo está em transmitir esse lembrete de uma maneira desconcertante, que comprova nosso vitimismo e hipocrisia.

A um presidiário que dissesse “Eu caí na galera errada”, Dalrymple costumava responder: “Que estranho… Conheci muita gente que caiu na galera errada, mas algum membro da galera mesmo, eu nunca vi”. Como os pacientes, em geral, respondiam a isso? De uma maneira que comprova que eles acabavam de ser desmascarados: gargalhando.

Para saber mais, assista à entrevista que o autor concedeu ao The Noite com Danilo Gentili (SBT) na semana de lançamento do livro no Brasil:

Como o livro ajuda a entender o atentado a Bolsonaro

Os livros são guias sempre proveitosos para momentos de confusão como o nosso. Não é à toa que um best-seller deste ano tem sido lembrado por aludir, no título, exatamente à imagem que impactou a mente dos brasileiros.

Como A Faca Entrou – Assassinos reais e a nossa cultura, o mais recente livro de Theodore Dalrymple publicado no Brasil, ajuda a entender o atentado a Jair Bolsonaro?

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Bolsonaro sendo carregado pelos assessores e seguranças, imediatamente após o ataque. [Foto: Fábio Motta / Estadão Conteúdo]

1. A desvalorização da responsabilidade individual

Uma das dúvidas ainda não esclarecidas a respeito do atentado a Bolsonaro é a motivação do agressor. A Polícia Federal concluiu que Adelio Bispo agiu sozinho; mas a pergunta permanece: o que exatamente o levou a atacar o presidenciável?

Sua ideologia não está clara, uma vez que as postagens sobre o cenário político em suas redes expressam opiniões confusas. Este dado, junto à conclusão a que chegou a polícia, torna extremamente implausível a hipótese de que o crime foi encomendado por desafetos.

Apenas se pode falar de crime político no sentido em que o ato almejou desestabilizar a disputa pelo comando do país. O fato mais importante, e incontestável, é que o único responsável direto pela facada em Bolsonaro é, evidentemente, o esfaqueador.

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O agressor confesso de Jair Bolsonaro, Adelio Bispo de Oliveira, é interrogado pela Polícia Federal. [Foto: Reprodução Youtube]
O livro de Dalrymple nos lembra que, primeiro, uma faca não pode “entrar” sozinha em pessoa nenhuma e, em segundo lugar, só quem a faz entrar é o indivíduo que a empunha.

Adelio Bispo atribuiu o atentado a Bolsonaro a um mandado divino. Com essa fala, corroborou o diagnóstico segundo o qual vivemos em uma cultura de terceirização das responsabilidades.

Não há protesto mais enérgico contra a distorção ideológica da realidade do que reconhecer este fato básico: que o verdadeiro responsável por um crime é, sempre e exclusivamente, o indivíduo que o cometeu.

2. A degradação da cultura

De qualquer modo, todo indivíduo é integrante de uma cultura – e reflete, com as suas atitudes, que comportamentos essa cultura soma ao mundo das possibilidades humanas.

Indiscutivelmente, uma cultura que tornou concebível uma agressão brutal a uma personalidade em ascensão revela terem sido degradados alguns de seus valores. E, de fato, um processo amplo de degradação moral é algo que Theodore Dalrymple tem identificado, em seus livros, como estando em curso no mundo moderno.

O atentado a Bolsonaro deve ser lamentado por todos porque indica que soluções violentas têm se tornado plausíveis em nosso modo de pensar.

A agressividade foi banalizada, já que restrições morais não mais impedem que sentimentos de desaprovação se expressem de modo a ameaçar a vida de outro sujeito.

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Livros de Theodore Dalrymple que abordam a degradação cultural da sociedade. Clique no link para saber mais sobre eles! [Foto: É Realizações]
Não é impossível que essa seja mais uma consequência do “sentimentalismo tóxico” diagnosticado por Dalrymple. Talvez estejamos perdendo a capacidade de conviver com o que nos desagrada, de admitir o direito à existência daquilo que consideramos ofensivo.

Como sugere o subtítulo de um livro lançado por Dalrymple em outra visita ao Brasil, lamentavelmente estamos construindo uma “cultura do declínio”.

3. As várias manifestações do mal

Tais observações preliminares são suficientes para inferirmos uma advertência geral: a intolerância à diferença deverá ser evitada, se quisermos revitalizar esta cultura que desmorona.

O vitimismo, o sentimentalismo e a terceirização das responsabilidades estão associados, e não em conflito, com a retórica da agressividade.

Por isso reavaliar toda a cultura vigente, em reação a um evento traumático, longe de servir à absolvição de um esfaqueador – ou à atribuição de culpa a alguém que foi esfaqueado –, serve a que se trate desde a raiz o mal a que o agressor, único culpado, acabou por sucumbir.

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A intolerância à diferença deverá ser evitada, se quisermos revitalizar esta cultura que desmorona. [Foto: Fábio Motta / Estadão Conteúdo]
Uma das constatações de Dalrymple em A Faca Entrou é que a maldade se insinua de maneiras variadas, até mesmo sedutoras.

Entre as respostas sensatas ao atentado a Jair Bolsonaro certamente está a decisão de refletir sobre estarmos ou não contribuindo para que a degradação da cultura brasileira, com as consequentes intolerância e banalização da violência, detenha seu percurso.

Aí está uma responsabilidade a ser assumida por cada um de nós, e em cujo cumprimento a leitura de A Faca Entrou será uma experiência de enorme auxílio!

Conclusão

Verdadeiramente, a política imitou a crítica social. O atentado a Jair Bolsonaro materializa muito do que foi observado por Dalrymple em A Faca Entrou – além de concretizar tragicamente a imagem que é evocada pelo título da obra.

Não é por acaso que mais de um comentarista político lembrou-se do livro ao analisar o evento.

Esse acontecimento lamentável, que deixou marcas na disputa eleitoral e na história política do Brasil, evidencia – novamente! – os prejuízos da ideologização e da cultura de terceirização das responsabilidades.

Se há aprendizados possíveis de extrair do ocorrido lastimável, o atentado a Bolsonaro comprova que a retórica da violência não deve ser estimulada.

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O ataque a Bolsonaro foi um acontecimento lamentável, que deixará marcas não só na disputa eleitoral, mas também na história política do Brasil. [Foto: Twitter / Reprodução]
O melhor modo de não mais precisarmos associar os “assassinos reais e a nossa cultura” (como expresso no subtítulo da obra de Dalrymple) é levarmos a sério as advertências embutidas nas crônicas do livro A Faca Entrou.

Ao que parece – por tristes que sejam as razões –, não haveria ano mais adequado a que o lançamento do crítico britânico chegasse ao nosso país.

Aproveite para conhecer os relatos sempre envolventes e as análises sempre brilhantes de Theodore Dalrymple. Não deixe de ler A Faca Entrou! Clique no link a seguir para saber mais: A Faca Entrou.

 

Fontes

– Theodore Dalrymple, A Faca Entrou – Assassinos reais e a nossa cultura. São Paulo, É Realizações Editora, 2018.

– Ana Paula Henkel, “A faca entrou” (artigo). O Estado de S. Paulo (online), 10 de setembro de 2018.

– “Atentado a faca em Bolsonaro: veja como está a investigação”. Gazeta do Povo (online), 10 de setembro de 2018.

6 Comentários

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  1. Já li e rogo a todos os nossos futuros líderes e àqueles que detém o poder de orientar pessoas que se apropriem deste pensar!

  2. A leitura deste texto – particularmente no modo como propõe que o livro em questão ilumine a realidade brasileira contemporânea – me levou a longas digressões comigo mesmo, que trato de resumir em duas questões:
    a) o que pensar de que o alvo do atentado objeto do artigo seja alguém que não apenas “é ‘nostálgico’ quanto à ditadura militar”, mas faz de “soluções violentas” – como ele tratou de mostrar e proclamar, sem qualquer disfarce – o caminho para encaminhar questões de histórica duração em nossa sociedade? Ele concordaria em que “a retórica da violência não deve ser estimulada”? Ele foi escolhido presidente pela maioria do eleitorado: a despeito desta “retórica” ou por causa dela?
    b) nos casos de Marielle Franco – cujos assassinos parecem ter sido eliminados, sem qualquer alarde maior – e das caravanas conduzidas pelo ex-presidente Lula, também alvejadas por tiros no início do ano, e com simpatizantes sendo açoitados em plena luz do dia, com direito a registro fotográfico e tudo, como valerão os argumentos no sentido de “revitalizar esta cultura que desmorona”? Qual é ela? O que dizer desta seletividade que distingue entre a violência que deve ser deplorada e aquela que parece caber na “normalidade” a que nossa formação socio-histórica nos acostumou?
    Em tempo: “a faca entrou” para degolar centenas – senão milhares de canadenses que apostaram vida e morte no seguimento dos mandamentos de Deus ensinados por Antonio Conselheiro. Não é de hoje que a truculência é a marca de nossa história sociopolítica, especialmente aquela do Brasil oficial sobre o Brasil real, para se utilizarem os termos de Machado retomados por Ariano Suassuna…

    • E esse tipo de violência foi massificado com a ocupação de espaços dos revolucionários que vem desde os anos 60,junto com a degradação cultural e o fim de nossa alta Cultura,outro tipo de destruição da nossa Cultura foi o que ocorreu com o Museu Imperial que foi propositalmente deixado ao desleixo,para depois a história ser reconstruída sob um revisionismo enviesado,o que me lembra um dos escritos de Dalrymple no livro “Nossa Cultura ou o que restou dela”,em que o mesmo cobriu inloco a revolta na Libéria,onde haviam pianos destruídos.
      Grande parte dessa violência é incentivado pelos revolucionários,que são nesse caso criminosos,enquanto Bolsonaro e militares em geral,se preocupam em reagir para evitar esse tipo de violência.Toda sociedade é baseada em escolhas e discriminação,e quando “lutamos” para acabar com uma discriminação,a gente começa outra.É algo cíclico!

  3. A lógica da esquerda pretende que a faca de Bolsonaro ” Entrou” sozinha enquanto que as balas de Marielle foram disparadas por alguma tal de ” Elite conservadora”

  4. Pelo que eu saiba, o “atentado” a caravana já é assunto batido. Foi esquematizado pela própria caravana petista para simular um “atentado de ódio” e que fora desmascarada pela PCPR três, eu disse 3 dias antes do simulacro.
    Meu amigo, sem paixões. Saiba o quem realmente foram os antigos governantes. Saiba separar o discurso proferido das atitudes tomadas. Olhe para os seus patrícios e veja o ódio em seus olhos. Se informe mais de uma fonte, digo aqui de Diário a centro do Mundo até Terça-livre.
    Senão ficara parecendo mais um entre tantos bobocas que só enxergam o lado que lhe convém, adorando ídolos inexistentes e boicotando fatos.

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